Treinador e coordenador dos escalões mais jovens no clube, Diogo Cordeiro é um dos mais promissores técnicos da nova vaga. É licenciado em Treino Desportivo na Escola Superior de Desporto de Rio Maior. O trabalho no Fazendense está à vista.
Diogo, como está a correr a experiência no Fazendense?
Vou já para a sexta época e considero que o trabalho desenvolvido ao longo destes cinco anos tem tido resultados positivos para o clube. Felizmente o Fazendense tem cada vez mais atletas e mais equipas, um trabalho de todos os treinadores e staff do clube que dão sempre o seu melhor em prol dos atletas. A nível pessoal tem sido muito agradável representar o Fazendense, um clube com condições de trabalho muito boas, e com pessoas também muito boas, sempre disponíveis para ajudar. Tem sido uma conjetura que me tem permitido evoluir enquanto treinador.
Há uma grande evolução da equipa que dirige este ano?
Sem dúvida, começamos a época com um conjunto de meninos que jogavam à bola e, hoje, temos uma equipa que quer jogar futebol, mérito deles porque mostram uma vontade enorme de aprender e de melhorar. Muitas vezes, vemos muitos jogadores no treino mais focados no resultado do que na aprendizagem e ter jogadores que são capazes de priorizar a aprendizagem, percebendo que, por vezes, vão ter de falhar para conseguir fazer bem, é o melhor que pode haver para um treinador de formação, e estes meninos começaram a conseguir fazê-lo, e com isso sem dúvida que tiveram uma evolução fantástica nestes primeiros meses de época.
O que mudou nestas crianças?
Penso que, principalmente, a forma de encarar o treino, perceber que o treino é um local de aprendizagem, onde é importante estarem disponíveis e concentrados para aprender, sabendo que, dentro do treino, existem momentos diferentes, uns mais descontraídos, outros que requerem mais atenção e foco. Eles jogam futebol porque gostam, têm de se sentir felizes, acredito pessoalmente que, se o treino for organizado, dinâmico e com regras bem definidas torna-se um local mais agradável para todos.
No Fazendense as suas funções vão para lá de treinador desta equipa?!
Sim, na presente época estou responsável pelos SUB6/7/8, onde em conjunto com mais cinco treinadores, temos feito um trabalho que considero muito positivo, o número de atletas tem aumentado, temos organizado muitos Encontros da Associação de Futebol de Santarém e realizado vários torneios ao longo da época onde temos conseguido juntar clubes de várias Associações de Futebol de distritos vizinhos. Nota-se a alegria com que estas crianças treinam e jogam e, quando assim é, o principal objetivo está conseguido.
Estou também envolvido como treinador-adjunto no escalão Sénior do clube, a primeira experiência a nível pessoal em contexto de futebol sénior, e que tem corrido bastante bem num grupo incrível a todos os níveis.
Como entende o futebol de formação?
O Futebol de Formação começa pelo gosto que o treinador tem em ensinar, em explicar e em arranjar formas de se fazer entender. As crianças são muito curiosas, adoram aprender e saber coisas, tanto que perguntam tantas vezes “Porquê?”, o importante é nunca deixar nenhum “Porquê?” por explicar, se for assim a evolução é natural . Depois é muito importante que se priorize a construção de um bom clima no treino, nas relações interpessoais entre os jogadores, o seu saber ser e saber estar, a capacidade de trabalhar em equipa, entender o que é melhorar o seu aspeto individual para o colocar ao serviço de uma equipa, perceber, no fundo, que praticar um desporto coletivo envolve um conjunto de regras, responsabilidades e comportamentos para que a equipa funcione bem. No futebol de formação criam-se amizades para a vida, recordações para a vida, vivem-se momentos inesquecíveis num campo de futebol e isso é a primeira coisa a cultivar no futebol de formação.
É muito mais que competição?
A competição é uma forma de levar os jogadores a testar os seus limites, seja a competição no jogo ou no treino, o facto de existir a disputa para haver alguém que ganha e alguém que perde é como se fosse um combustível natural para dar o máximo. Agora o principal é perceber e fazer entender às crianças que ganhar e perder faz parte do futebol, olhar muito mais para si próprios, ganhando ou perdendo as duas questões devem ser as mesmas: O que fiz bem? Em que posso melhorar? Muito importante também é saber ganhar, saber confortar e apoiar quem perde.
Aliás, o que defende: Formar e/ou competir? É possível as duas coisas?
Eu acredito acima de tudo que formar bem é um meio para conseguir competir. É claro que, a partir de uma certa idade, as crianças começam a perceber melhor a realidade do Futebol e a realidade da competição e, de uma forma natural, o seu relevo aumenta, aquilo em que eu acredito é que quem aprende futebol, que quem sabe jogar melhor o jogo vai, consequentemente, ter um desempenho melhor dentro do campo em contexto de competição. Formar é, sem dúvida, o mais importante e a base de tudo, competir é tentar sempre dar o máximo procurando vencer, nunca, claro está, hipotecando a aprendizagem ou o bem estar da criança, nem a ética desportiva ou os valores do clube.
E os pais, qual é o papel deles no meio disto?
Têm um papel importantíssimo, são a base de suporte que nunca deixa que falte nada, felizmente tenho encontrado grupos de pais que muito se têm dedicado a ajudar em tudo o que é necessário, realizando, também, várias iniciativas de angariação de fundos para presenças em Torneios de Páscoa e Final de Época. Nos últimos anos, já estivemos em Idanha-a-Nova, Arcos de Valdevez, Góis, Alijó, Mira e Braga em representação do Fazendense, existe um grande trabalho dos pais em cada presença nossa nesses torneios.
Mas cada um deles também é um treinador?
É normal que os pais tentem ajudar os filhos, a melhor forma de fazer é ouvi-los e apoiá-los, repreendê-los e ensiná-los caso vejam alguma atitude menos correta da sua parte no que diz respeito ao comportamento, não tentando ser treinador deles, porque muitas vezes, a informação contraditória entre o que o pai/mãe diz e o que o treinador diz, gera uma confusão e uma dúvida muito grande na cabeça da criança. Felizmente, não tenho tido contacto com essas situações, os pais apoiam e deixam o treinador ser o treinador.
O que quer para o futuro?
Num futuro próximo pretendo fazer o mestrado em Ensino da Educação Física, uma vez que o trabalho no Futebol em contexto de formação despertou em mim um gosto muito grande por ensinar. No futebol, o principal objetivo é chegar a um clube profissional para trabalhar em contexto de formação. Depois ir crescendo, evoluindo e aprendendo dentro desse contexto para tentar chegar o mais longe possível.
Quer o futebol sénior?
Claro, sem dúvida, a experiência que estou a ter este ano como adjunto tem-me dado certezas de que, no futuro, quero continuar envolvido no contexto sénior, mas nunca cortando a ligação à formação.
As suas qualidades não passam despercebidas quer na região, quer noutros clubes. Isso deixa-te orgulhoso?
Claro, quando gostamos tanto de uma atividade como eu gosto de ser Treinador de Futebol, e quando nos dedicamos tanto, é bom sentir que os resultados desse esforço e desse trabalho são positivos. Fico muito feliz por o meu trabalho ter um impacto positivo.












