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Desporto

”O clube está novamente vivo e com calma”

Por: Daniel Cepa 17 de Janeiro, 2026 2 Minutos de Leitura

Catarina Penteado tem uma ligação afetiva ao União de Almeirim que vem dos tempos do avô paterno. Hoje, desempenha várias funções no clube e nem todas com muita visibilidade, mas não deixa de ser peça chave no funcionamento do clube. 

Há quanto tempo colabora com o U. Almeirim e como começou essa ligação? 

A minha ligação com o clube é familiar e vem desde sempre. Quando me licenciei em Fisioterapia, em 2008, surgiu, imediatamente, o convite para colaborar a nível profissional o que aceitei prontamente. Após uma curta ausência na qual colaborei com a AD Fazendense, estou, neste momento, de forma contínua, no UFCA desde 2013.

O que a levou a aceitar esse desafio e a manter-se ligada ao clube durante tantos anos?

O desafio profissional prende-se com uma intervenção de primeiro contacto na área desportiva da qual gosto bastante e que me coloca em constante desafio. A ligação ao clube acaba por ser emocional já que sempre estive ligada à instituição, inicialmente, porque grande parte da família aqui jogou e colaborou, sendo a minha colaboração profissional uma extensão desta ligação. Hoje em dia, quase que não consigo dissociar a minha história da do UFCA porque aqui cresci pessoal e profissionalmente e isso acabou por criar uma ligação afetiva difícil de racionalizar ou explicar.

O U. Almeirim mudou muito desde que começou? Em quê, principalmente?

Mudou e continua a mudar. Iniciei atividade na direção do sr. Faustino Ferreira, acompanhei a “queda” do clube naquele que foi, provavelmente, o pior momento da sua história, saí porque não havia como continuar naquele momento e regressei com o projeto “Viver UFCA” liderado por André Mesquita a um clube praticamente sem atletas e sem vida. Voltei para vê-lo crescer, conquistar títulos, iniciar a aposta no futebol feminino e chegar à constituição da SAD e, novamente, entrar numa espiral descendente quer a nível de instalações com a inutilização do relvado natural e de grande parte das infraestruturas, quer a nível desportivo com alguma instabilidade que se foi criando. Neste momento, o clube está novamente vivo e, com calma, a tentar ressurgir. Costumo dizer que já vi e vivi de tudo aqui dentro mas que tudo é cíclico e todas as fases que acompanhei tiveram bons e maus momentos.

Em que consiste, concretamente, a sua colaboração com o clube?

Faço acompanhamento em jogos com a preparação dos atletas para a competição e intervenção de primeiro contacto em contexto de jogo. Durante a semana, asseguro o acompanhamento dos treinos e os tratamentos de Fisioterapia dos atletas em recuperação, procedendo depois à articulação com as equipas técnicas para o retorno à atividade desportiva.

Que trabalho acontece “nos bastidores” e que muitas vezes o público não vê? 

Todo o trabalho é, normalmente, invisível, apenas a presença em jogos é vista pelo público mas é uma parte ínfima do que faço. Depois existe todo o trabalho desenvolvido com os atletas em recuperação, a sua preparação para a prática desportiva antes dos treinos e jogos, a organização do acompanhamento aos jogos em articulação com os restantes colegas do departamento clínico, preparação de sacos com material de apoio para os jogos e mesmo o reforço alimentar fornecido aos atletas durante os jogos que acompanho que acabou por ganhar um cunho pessoal ao longo dos anos e que sou eu que preparo.

Que histórias mais marcantes recorda?

As histórias são tantas que é impossível individualizar. Mas recordo sempre as lesões mais graves pelo impacto que têm junto das equipas e pelo desafio profissional que acarretam. Acabam por ficar sempre mais as pessoas do que as histórias propriamente ditas, são tantos anos de contato com atletas, de acompanhamento do seu crescimento dentro e fora de campo que a “história” de cada um deles e as ligações que se criam acabam por ser o mais marcante.

Sente que o seu papel é reconhecido dentro e fora do clube?

Sinto que sou conhecida no contexto desportivo, inevitavelmente, pela durabilidade desta colaboração. Às vezes uma colaboração tão extensa no tempo torna-nos um dado adquirido o que esbate o reconhecimento, mas sinto que quem colabora diretamente comigo reconhece a importância do trabalho desenvolvido e isso é o mais importante. É, principalmente, nos atletas que sinto esse reconhecimento e, curiosamente, mais ainda quando deixam o clube ou a atividade desportiva. Creio que isso comprova a importância do trabalho desenvolvido e reforça que o caminho é por aqui, quando fazemos a diferença na vida de quem pratica o desporto.

Há algum momento especial ou inesquecível que guarde destes anos no U. Almeirim? 

Inevitavelmente, as conquistas desportivas são sempre o mais memorável e, felizmente, já acompanhei várias e cada uma foi especial à sua maneira. Mas tenho que destacar as duas Taças do Ribatejo de Juniores, as duas subidas ao Campeonato Nacional de Juvenis e a subida à Liga Feminina sub-19, pois são momentos únicos e que tiveram um grande impacto no clube e em todos nós.

Qual foi o período mais difícil e como foi ultrapassado? 

As dificuldades e desafios são diários. Não sinto que haja um momento a destacar, talvez porque a resiliência de quem trabalha neste contexto nos ensina a procurar soluções e a tirar o melhor de cada período, mesmo dos mais difíceis. Às vezes, a dificuldade está nas contingências do próprio dia-a-dia e na procura de dar o melhor atendimento no tempo e espaço que temos, o que, face ao número de atletas que, felizmente, vamos tendo, nem sempre é fácil. Ainda assim, acho que, no geral, tudo é ultrapassado de forma positiva quando nos focamos nos atletas como elementos fundamentais do clube e lhes tentamos proporcionar os melhores cuidados possíveis mesmo nos períodos difíceis.

E o momento de maior orgulho?

Os momentos são tantos que se torna difícil individualizar um como o mais especial. Prefiro salientar os momentos em que percebi que conseguimos transmitir aos atletas o que é o UFCA, mesmo àqueles que chegam já mais tarde na sua formação ou que passam por cá apenas uma época. Vê-los sentir o espírito UFCA e defender o símbolo com orgulho e responsabilidade e saber que posso ter um papel nesse processo de responsabilização é o meu maior orgulho pessoal.

Que importância tem o U. Almeirim para a comunidade de Almeirim? 

O UFCA deverá ser sempre um símbolo da cidade e uma forma de levar o seu nome a todo o país. Além da componente desportiva, é inegável que, no contexto do clube, ajudamos a formar cidadãos pelo acompanhamento diário e contínuo que fazemos ao longo do seu crescimento. Nem todos serão atletas profissionais ou sequer chegarão ao escalão de seniores mas, se conseguirmos contribuir para que sejam elementos positivos na comunidade e promover boas práticas sociais e desportivas estamos também a enriquecer Almeirim.

Acha que o desporto local é suficientemente valorizado? Porquê? 

Creio que já foi mais. Hoje em dia, existe uma grande variedade de oferta de atividades que acabam por dispersar a atenção, apesar do desporto continuar a ter um papel muito relevante na sociedade. O acompanhamento do desporto local era uma prática mais comum antigamente e, com o desaparecimento destes elementos mais antigos, nota-se uma diminuição da afluência de público a este nível e, às vezes, até uma banalização da importância do desporto local.

Qual o papel da imprensa local na divulgação e valorização dos clubes e atletas?

Um papel fundamental na ligação dos clubes à comunidade. Infelizmente, as notícias menos positivas têm sempre mais repercussão mas creio que é fundamental dar a conhecer o que de bom se faz mesmo nos momentos menos mediáticos e que, inevitavelmente, atraem mais atenção. Todos os dias há trabalho desenvolvido, todos os dias existem centenas de atletas em competição e um conjunto significativo de pessoas que fazem os clubes funcionar a troco de nada e que merecem ver o seu trabalho divulgado e reconhecido pela imprensa local.

Que desafios se colocam hoje ao U. Almeirim?

Além dos desafios óbvios em termos de infraestruturas que, gradualmente, estão a ser recuperadas, o desafio está, obviamente, no fator humano. Encontrar pessoas dispostas a dedicar o seu tempo ao clube nem sempre é fácil pois é uma tarefa muito absorvente, e conciliar as novas mentalidades dos atletas e uma alteração do próprio compromisso com o desporto e com a equipa tem sido um dos maiores desafios ao longo dos anos.

O que gostaria de ver melhorar ou mudar no clube?

Neste momento, creio que o essencial é a estabilidade do clube. Criar condições transversais a todos os escalões para a prática desportiva e o melhor acompanhamento possível dos mesmos. Claro que, pessoalmente, gostaria de ver o regresso do escalão de seniores como estandarte daquilo que o clube representa e como um objetivo a alcançar pelos atletas de formação como outrora.

Que mensagem deixa aos jovens que querem envolver-se no desporto local?

Que são eles o combustível do desporto local. Que os clubes estão vivos e precisam deles para se renovarem, e que a experiência e o sentimento de representar algo superior a nós e deixar o nosso contributo na sua história é único. É na formação que está o futuro dos clubes e serão eles a perpetuar a imagem e valores associados ao símbolo.

Depois de tantos anos de dedicação, o que significa o U. Almeirim na sua vida?

Significa casa, inevitavelmente. São muitas horas de dedicação, são muitas pessoas com quem me cruzei e que foram ficando na minha vida. E personifica o respeito por uma história com 91 anos a que muito me orgulho de pertencer, perpetuando a ligação da minha família ao clube que remonta já ao meu avô paterno.

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