Shopping cart

No Widget Added

Please add some widget in Offcanvs Sidebar

  • Home
  • Entrevista
  • “Esta data representa a celebração de mais um ano a preservar e divulgar a nossa cultura e tradição”
Entrevista

“Esta data representa a celebração de mais um ano a preservar e divulgar a nossa cultura e tradição”

Por: Inês Ribeiro 24 de Fevereiro, 2026 2 Minutos de Leitura

O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Almeirim está a festejar 70 anos e assinalamos a data com uma entrevista ao presidente, Carlos Bráz. Olhamos para o passado e a vontade de continuar a preservar as tradições do concelho e da região. 

O Rancho Folclórico de Almeirim celebra 70 anos de existência. O que representa esta data para o rancho e para a cultura popular do concelho?

Esta data representa a celebração de mais um ano a preservar e divulgar a nossa cultura e tradição, bem característica de Almeirim!

Que momentos ou fases considera mais marcantes ao longo destas sete décadas?

Todos os momentos foram marcantes, porque sem eles não poderíamos ter uma história para contar aos nossos netos. São setenta anos com muitas histórias sobre este grupo que me foram contadas a mim, assim como um dia contarei aos meus….

Como nasceu o Rancho e que espírito dos fundadores ainda se mantém vivo hoje?

O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Almeirim foi fundado em 24 de Fevereiro de 1956, fruto do entusiasmo regionalista que então surgiu com a Feira do Ribatejo de Santarém. Reuniram-se boas vontades que tudo fizeram para que o Rancho fosse uma realidade. E foi!

Estreou-se em 27 de Maio do mesmo ano, na Praça de Touros de Almeirim. Trajes tradicionais, folclore recolhido do cancioneiro popular do concelho de Almeirim e uma juventude encantada por poder contribuir para o desenvolvimento cultural de Almeirim. A fundação deste Rancho Folclórico, muito deve à iniciativa destes homens, que empreenderam esta difícil tarefa e ainda hoje continuamos a honrar essa mesma tarefa, foram eles: António Andrade Baptista (Panéu); José Augusto Vermelho; Joaquim Soares da Graça; Augusto do Carmo Ribeiro e António Nunes do Carmo Cláudio.

Que tradições, danças ou trajes caracterizam o Rancho Folclórico de Almeirim e o ligam à identidade ribatejana?

Desde que o grupo foi constituído que se usam os mesmos trajes:

A mulher usa saia vermelha, cor comum  a quase todo o ribatejo sul (mas pode ser também  Azul, Castanha ou verde), pregueada, contrastando com a singeleza das cores e como corte do casaco com o típico “rabo de bacalhau”, de avental com rendas ou bordados, meias brancas, de carapuço, feitas à mão, lenços de merino ou ramagens. Nos pés usa chinela preta e sobre a anca, do lado direito, trazia uma pequena bolsa ou algibeira rústica, onde guardava o lenço e outros objetos de uso pessoal. Usam também xaile preto de abafo.

O homem veste com simplicidade: Calças de boca de sino, colete, cinta e barrete, tudo preto e camisa branca pregueada no peitilho. Os sapatos eram de “prateleira”, devido ao salto. Usam jaqueta preta.

Estes eram os trajes dos dias de festa, porque, para o trabalho ele era variado de acordo com as tarefas a efetuar no campo e as diferenças climatéricas.

De que forma o rancho tem contribuído para preservar a memória cultural e etnográfica da região?

Desde o início que mantemos os mesmos trajes, danças e cantares, nunca foram alterados. Onde quer que vamos, do norte a sul do país, conhecem-nos, nem precisam perguntar de onde somos! Cada vez mais há mudanças dos trajes nos grupos e nós temos preservado sempre o nosso.

Ao longo dos anos, o folclore foi mudando. Como se consegue respeitar a tradição sem ficar preso ao passado?

O folclore não muda, o que tem mudado são os ritmos das danças e os trajes de alguns grupos. No nosso grupo não fizemos mudanças, porque acreditamos que se deve manter exatamente a quando a sua fundação, porque aquilo que era verdade há setenta anos, continua a ser!

Quantos elementos integram atualmente o rancho e que faixas etárias estão representadas?

O grupo tem entre 40 a 50 elementos trajados e as idades, variam entre os 14 e os 89 anos.

Fico com a ideia que, recentemente, tivemos um regresso de alguns pares que estiveram afastados alguns anos. Qual a importância disso?

“As portas” do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Almeirim, desde o início, que estão sempre abertas para quem quiser voltar! E serão sempre muito bem vindos….

A Velha Guarda e o Infantil como se inserem aqui?

A Velha Guarda e a Escola de Folclore, são duas secções deste agrupamento, todos fazemos parte da mesma Família.

É fácil envolver os mais jovens neste projeto cultural? Que desafios se colocam hoje?

Pois… nada fácil! Hoje em dia, há muita oferta de atividades, embora o Rancho Folclórico seja completamente gratuito, os pais preferem pagar mensalidades ao invés de incentivarem as crianças a participar numa atividade que pode não ser a mais moderna mas decerto uma das mais saudáveis e ainda ajudar a manter as tradições e cultura do nosso povo.

Que papel têm tido as famílias, antigos elementos e a comunidade local na continuidade do rancho?

Sim, as famílias, sem dúvida, são a parte mais importante, para a continuidade do grupo assim como a população em geral. Só com a ajuda de todos conseguimos dar continuidade a este “projeto” que já se iniciou há 70 anos atrás.

Que importância têm os apoios da Câmara Municipal, das Juntas de Freguesia e de outras entidades para o funcionamento do rancho?

Muita! São essenciais pois cada vez mais os convites que recebemos para atuar, são em regime de permuta, raramente surgem contratos para atuações remuneradas. Seria impossível se não tivéssemos o apoio do Município, pois temos despesas durante todo o ano.

Sente que o folclore e o movimento associativo cultural têm o reconhecimento que merecem?

Nem sempre, infelizmente.

Que iniciativas estão previstas para assinalar os 70 anos Rancho Folclórico de Almeirim?

Vamos realizar um espetáculo já no próximo dia 28 de Fevereiro, para assinalar o 70º Aniversário do Grupo. Será no Espaço Multiusos de Almeirim – Imóvel de Valências Variadas, com início pelas 21:30H. Pretendemos fazer outros eventos, já falados, mas não agendados.

Que mensagem gostaria de deixar à população neste ano comemorativo?

Que participem nos nossos eventos, assim será uma forma de nos ajudarem, deixando, desde já, o nosso agradecimento.

Como imagina o rancho daqui a 10 ou 20 anos?

Daqui a 10 ou 20 anos, espero que o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Almeirim, se mantenha como agora, porque o que transmitimos aos mais novos é que as tradições são para manter, e faço-o porque os mais velhos mo transmitiram a mim.

Se tivesse de resumir o Rancho de Almeirim numa palavra ou numa ideia, qual seria?

Família.


Em 1954 foi criada a Feira do Ribatejo em Santarém, inicialmente concebida como uma mostra regional de agricultura e tradições.

Celestino Graça foi a alma desta Feira, conhecida na época como a “feira do pau caiado”

No ano de 1955, dois almeirinenses, Augusto do Carmo Ribeiro e Joaquim Soares da Graça, deslocaram-se a Santarém para falar com o Celestino Graça, afim de obterem um espaço naquela feira, um espaço de comes e bebes, um espaço onde pudessem servir refeições aos visitantes daquele certame.

Imbuídos no espirito regionalista que se vivia na época com a criação da Província do Ribatejo, Celestino Graça questionou aqueles jovens almeirinenses, porque não criavam um Rancho Folclórico em Almeirim, visto que era uma terra com uma grande riqueza de danças e cantares.

Eles, ao regressaram a Almeirim foram falar com o António Nunes do Carmo Cláudio e os três encetaram este desafio lançado pelo Celestino Graça.

Primeiro passo, haveria que associar a um organismo que pudesse apoiar esta iniciativa e assim surgiu o contato com a Casa do Povo de Almeirim, presidida pelo senhor António Andrade Batista (Panéu) e que tinha como funcionário administrativo o senhor José Vermelho. 

E assim foi fundado em 24 de fevereiro de 1956.

Notícias relacionadas