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Barreira fluvial removida à mão na Ribeira de Perofilho num investimento de 35 mil euros

Por: Daniel Cepa 19 de setembro, 2026 5 minutos de leitura

Uma barreira fluvial obsoleta foi removida, esta sexta-feira, dia 18 de setembro, da Ribeira de Perofilho, na Quinta da Amendoeira, no concelho de Santarém, numa intervenção que representou um investimento de 35 mil euros e pretende recuperar a conectividade daquele curso de água.

A operação foi promovida pela SOS Animal – Portugal, em parceria com o Município de Santarém, e contou com o financiamento do European Open Rivers Programme e o parecer favorável da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Os trabalhos foram executados manualmente, de forma a reduzir a perturbação causada no curso de água e no ecossistema envolvente. A remoção permite restabelecer a continuidade longitudinal da ribeira, facilitando a circulação da água e das espécies aquáticas entre diferentes habitats.

A intervenção deverá contribuir também para recuperar o transporte natural de sedimentos e nutrientes e outros processos ecológicos associados ao funcionamento dos ecossistemas fluviais.

As barreiras fluviais podem dificultar a deslocação de peixes e de outros organismos aquáticos, alterar a dinâmica natural da água e fragmentar os habitats. Quando estas estruturas deixam de cumprir a função para a qual foram construídas, a sua remoção pode ajudar a recuperar a ligação entre os vários troços dos cursos de água

Esta foi a terceira remoção de uma barreira fluvial obsoleta realizada em linhas de água do concelho de Santarém.

O trabalho começou, em 2023, com a primeira remoção intermunicipal de uma estrutura no rio Alviela, em Vaqueiros, numa intervenção que envolveu os municípios de Santarém e Alcanena.

No ano seguinte, foi removida outra barreira na Ribeira de Perofilho, num projeto desenvolvido pela WWF Portugal, em colaboração com o Município de Santarém e a SOS Animal – Portugal, igualmente apoiado pelo European Open Rivers Programme.

Essa intervenção permitiu recuperar cerca de 2,5 quilómetros de conectividade fluvial e incluiu ações de recuperação da vegetação existente nas margens do curso de água.

A recuperação das linhas de água tem sido desenvolvida através de uma rede de cooperação que envolve entidades públicas, organizações ambientais e instituições técnicas e científicas.

O vereador da Câmara Municipal de Santarém responsável pelos pelouros do Ambiente e dos Recursos Hídricos, Pedro Gouveia, acompanhou os trabalhos e destacou a concretização da estratégia ambiental da autarquia.

“Isto é, de facto, a estratégia municipal de ambiente a ter execução. Muitas vezes, quando se fala em ambiente, fala-se muito em estratégia, mas nós temos é que passar também à ação”, afirmou Pedro Gouveia.

O vereador sublinhou que esta é já a terceira remoção de uma barreira fluvial promovida no concelho e destacou a importância da cooperação entre as diferentes entidades.

“São trabalhos de alguma complexidade e, portanto, a ideia é que as entidades trabalhem em conjunto para sair um projeto cada vez mais rico”, acrescentou.

A recuperação da conectividade da Ribeira de Perofilho deverá beneficiar as espécies aquáticas identificadas no âmbito do projeto municipal Reabilitar Troço-a-Troço (RTT).

Entre as espécies monitorizadas encontram-se a enguia-europeia, a boga-portuguesa e a lontra-europeia, cuja conservação depende de habitats aquáticos funcionais e interligados.

A presidente da SOS Animal – Portugal, Sandra Cardoso, destacou que a proteção das espécies depende também da conservação e recuperação dos respetivos habitats.

“Uma enguia, um peixe, um anfíbio ou uma lontra não precisam apenas que não lhes façamos mal. Precisam que o rio continue a ser um rio. Precisam de água, vegetação, alimento e de conseguir deslocar-se ao longo do seu habitat. A proteção animal começa muito antes de um animal precisar de ser resgatado”, afirmou.

A responsável sublinhou ainda que a recuperação dos ecossistemas pode passar pela eliminação de estruturas que perderam a sua utilidade.

“Restaurar a natureza nem sempre significa construir. Muitas vezes significa saber retirar”, assinalou Sandra Cardoso.

A remoção da barreira integra a estratégia municipal RHIOS – Recursos Hídricos, Inovação, Oportunidade e Sustentabilidade, destinada à valorização dos recursos hídricos, recuperação dos ecossistemas ribeirinhos e envolvimento das comunidades na preservação dos rios e ribeiras.

A estratégia contempla medidas de proteção da biodiversidade, melhoria da conectividade fluvial, recuperação da funcionalidade dos ecossistemas, melhoria da qualidade das massas de água, mitigação das fontes de poluição e reforço da resiliência dos territórios ribeirinhos.

Na Quinta da Amendoeira estão previstas outras intervenções, nomeadamente a recuperação das linhas de água e das galerias ripícolas, a plantação de espécies autóctones, o controlo de espécies invasoras e a criação e recuperação de habitats para a biodiversidade.

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