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Elefantes de Santarém regressam a São João do Alporão três décadas depois

Por: Daniel Cepa 20 de setembro, 2026 4 minutos de leitura

Os emblemáticos Elefantes de Santarém regressaram à Igreja de São João do Alporão, 33 anos depois de terem sido retirados da exposição pública e depositados na Reserva Museológica Municipal.

As duas esculturas de estilo indo-português, datadas do século XVI, voltaram a ficar diante da comunidade, numa cerimónia realizada a 19 de setembro no Núcleo Museológico de Arte e Arqueologia.

Durante a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite, destacou a importância de devolver à população duas peças que fazem parte da memória coletiva da cidade.

“Hoje estamos a colocar esta memória, que agora volta a ser uma memória presente das nossas vidas, à disposição de todos”, afirmou o autarca.

A recolocação das duas esculturas decorreu no âmbito das comemorações do 150.º aniversário do Museu Municipal de Santarém e integrou a programação das Jornadas Europeias do Património.

Para João Teixeira Leite, o regresso das peças representa também a valorização da história e da identidade de Santarém.

“Ele é nosso, é nosso Santarém. É por isso que é relevante dizer: sintamos orgulho daquilo que somos e daquilo que temos”, sublinhou o presidente da autarquia.

Originalmente concebidos como suportes de uma arca tumular ou de um jazigo construído no século XVI, os dois elefantes passaram a integrar o património municipal em 1907, através de uma doação de Maria Luísa da Silva Pedroso, viúva de António Mendes Pedroso.

As esculturas foram inicialmente colocadas no Jardim da República e, posteriormente, transferidas para o Museu Municipal de Santarém, onde permaneceram junto à entrada principal.

Em meados do século XX, foram instaladas junto à entrada da Igreja de São João do Alporão, tornando-se figuras familiares para várias gerações de escalabitanos.

Com um peso estimado de cerca de uma tonelada cada, os elefantes foram esculpidos num tipo de calcário que liberta um odor característico quando pressionado. Esta particularidade despertou, durante anos, a curiosidade de muitas crianças e contribuiu para a popularidade das esculturas.

A exposição prolongada no exterior provocou uma acentuada deterioração das peças, que foram também alvo de atos de vandalismo. Esta situação levou à retirada dos elefantes do espaço público, em 1993.

As esculturas foram então submetidas a trabalhos de recuperação e transferidas para a Reserva Museológica Municipal, situada no piso inferior do edifício do Arquivo Municipal, onde permaneceram preservadas durante mais de três décadas.

Apesar de afastadas da exposição permanente, as peças continuaram a participar pontualmente em iniciativas de divulgação do património municipal.

Entre essas ocasiões esteve uma instalação realizada no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), assim como a exposição “Modos, Medos e Mitos no Tempo de Cabral”, patente na Casa do Brasil entre julho de 2015 e abril de 2016.

Em 2017, as esculturas integraram ainda a mostra “141 Anos do Museu Municipal de Santarém 1876-2017”, apresentada na Loja do Cidadão durante os meses de setembro e outubro.

O regresso à Igreja de São João do Alporão, recentemente requalificada, permite agora que os Elefantes de Santarém voltem a ser conhecidos pelas novas gerações e reencontrados por quem ainda guarda a memória da sua antiga presença na cidade.

Mais do que elementos decorativos, as esculturas são testemunhos do imaginário artístico do século XVI e da forma como um animal exótico era representado na arte ocidental.

A Câmara Municipal de Santarém considera que a recolocação do conjunto representa uma aposta na valorização do património, da história e da identidade da cidade, devolvendo à população duas peças que fazem parte da sua memória afetiva.

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