Quarta-feira, outubro 28, 2026 12:00
Sociedade

Gala da UDIPSS Santarém distingue projetos e profissionais do setor social

Por: Inês Ribeiro 28 de outubro, 2026 4 minutos de leitura

A I Gala UDIPSS Santarém – Prémios Solidariedade distinguiu, no dia 27 de outubro, projetos, instituições, dirigentes, técnicos, voluntários e parceiros sociais pelo contributo para o setor social do distrito. A iniciativa decorreu no Cine-Teatro de Almeirim e serviu também para destacar os desafios enfrentados pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), nomeadamente a falta de profissionais qualificados.

A cerimónia contou ainda com atuações da APPACDM de Santarém e da Universidade Sénior de Almeirim, que contribuíram para o programa da iniciativa.

Na categoria de Projeto, foi distinguida a Orquestra Sénior do Concelho do Cartaxo, ligada ao trabalho desenvolvido pelo Centro de Dia de Pontével, pelo Centro Social e Paroquial de Vale da Pinta e pelo Centro Social e Paroquial da Ereira.

O Prémio Dirigente foi atribuído ao padre António Martins Pereira, do Centro de Reabilitação e Integração de Fátima. Na categoria de Voluntário, o reconhecimento coube a Fernanda Maria Ribeiro Cruz Rei, do Centro de Bem-Estar Social de Vale de Figueira.

O Prémio Técnico distinguiu Marta Patrícia Carvalho Pereira Estevão, também do Centro de Bem-Estar Social de Vale de Figueira, enquanto o Prémio Parceiro Social foi entregue à Câmara Municipal de Ourém.

Na categoria de Instituição, foi distinguido o Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Oliveira. Já o Prémio UDIPSS foi atribuído a Eduardo Júlio Quaresma Mourinha.

Os prémios foram atribuídos com base na avaliação de um júri, responsável por analisar as candidaturas nas diferentes categorias.

A gala pretendeu reconhecer e dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por pessoas e entidades que contribuem para o setor social e para o desenvolvimento das comunidades do distrito de Santarém.

Falta de profissionais é um dos principais desafios

À margem da iniciativa, Luís Jacob, presidente da UDIPSS Santarém, apontou a falta de recursos humanos como uma das principais dificuldades sentidas atualmente pelas instituições, a par dos problemas de financiamento.

“Neste momento, aquilo que nós sentimos mais falta é a nível dos recursos humanos”, afirmou, referindo as dificuldades em recrutar profissionais em número suficiente e com as qualificações necessárias.

Entre as áreas em que o recrutamento é mais difícil, o responsável destacou os educadores de infância, nutricionistas e ajudantes de ação direta, além de técnicos superiores, como psicólogos. As dificuldades acentuam-se nas instituições situadas fora dos centros urbanos.

“Se entrar em Almeirim é fácil arranjar um psicólogo, vamos imaginar, mas se falarmos de Mação, do Sardoal, aí já se torna muito mais difícil recrutar técnicos superiores”, exemplificou.

Sobre as possíveis soluções, Luís Jacob considerou que não existem respostas simples para problemas complexos, mas apontou a requalificação de licenciados de outras áreas para profissões com maior carência de trabalhadores como uma possibilidade a explorar.

Robótica poderá reforçar o acompanhamento dos utentes

A inteligência artificial e a robótica são outras das áreas que o presidente da UDIPSS Santarém considera que terão um papel crescente nas instituições sociais, sobretudo perante a escassez de profissionais.

Luís Jacob revelou que está a ser testado um robô de apoio auxiliar e um robô social, destinado a fazer companhia aos utentes. Entre as possibilidades em desenvolvimento está a utilização destes equipamentos para detetar situações de emergência, como uma queda, e alertar familiares ou outras pessoas que possam prestar auxílio.

O responsável chamou a atenção para as limitações do acompanhamento domiciliário, lembrando que, em alguns casos, os profissionais permanecem junto dos utentes apenas durante uma hora por dia, deixando-os sozinhos durante as restantes 23 horas.

A tecnologia poderá ajudar a colmatar parte dessas dificuldades, tanto na vigilância como na companhia dos utentes. “Daqui a cinco anos vamos estar a falar nisto já com outra normalidade”, antecipou Luís Jacob.

Apesar de considerar que a imigração contribui para responder à falta de trabalhadores, o presidente defendeu que o setor precisa de encontrar outras soluções para enfrentar um problema que afeta não só Portugal, mas também outros países.

A UDIPSS Santarém reúne perto de 200 instituições e tem como missão prestar apoio técnico, representar o setor e incentivar o trabalho desenvolvido pelas IPSS. Para Luís Jacob, o reconhecimento público promovido pela gala é também uma forma de valorizar o contributo destas entidades para as comunidades do distrito.

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