Hoje vamos ao reino dos vivos! Acho que das poucas brincadeiras de “piquenos”, eramos ter um Gato, “o Tareco” ou o “Tarzan” o cão, que foram redondamente opções impostas nos nossos anos de criança e foram sempre bem toleradas. Já o meu Avô e demais daquele tempo diziam, “quanto mais conhecemos as pessoas mais gostamos dos animais”. Ao ponto que até qualquer brinquedo novo que nos dessem na noite de Natal, nós dormíamos com ele durante uma temporada na cama. Se por acaso para muitos ficou a recordação da compra da Marmelada em que esta vinha em caixas de madeira e na Mercearia era cortada para o efeito em talhadas e posta em papel de vegetal numa faca de pau que afugentava ao mesmo tempo as moscas que por lá pousavam, acontecia muitas vezes ao chegarmos a casa, lá tínhamos um brinde…era uma “delas”, agarrada à marmelada. Não surpreendia que com um bocadinho de pão e uma pinga de leite eram os nossos lanches, mas um ovo batido com açúcar e leite para fazermos uma “Gemada”, para nos dar forças, era o habitual. O Pão frito depois da fritação dos Chixarros, ou mesmo o resto de um guizadito em que o molho era aproveitado para fritar/cozer uns ovos mexidos, sabiam a ginjas. A Batata cozida que ficava para o jantar às vezes fria ou aquecida com um bocadinho de banha que iamos tirar à salgadeira onde muitas vezes com a carne de porco frita e bem amarelada mais para o cor-de-rosa, era ali guardada, e a pouco e pouco era consumida a batata claro e como se dizia na altura, enganada e enxartada… em carne de porco, só com o gosto A difícil subsistência das gentes cá de Almeirim esteve sempre dependente da relação estreita entre uma agricultura pobre, de combros e pequens hortas, terrenos desbravados pela mão humana e a criação de gado. De tal modo tudo estava tão intimamente ligado, que a criação do porco, das cabras, ovelhas e gado miudo se cruzava e confundia a todo o momento com as fainas do milho e do centeio ou com o cultivo da batata, do feijão e das botelhas (abóboras), este nome bem descrito pelos Gaibéus mais do norte que mais tarde utilizou as cabaças depois de secas para, fazer de garrafas para levar a pinga ou a água.Com a contratação de trabalho de um Fazendeiro ou Agricultor, poderia a vida ser melhor, já havia contrapartidas: Jornas como Jornaleiros, ter a Melhadura, algum conduto, e quem sabe uma pequena horta sem ter que se amargurar. No lugar das lojas mais populares de Almeirim do Sr. Armando das Confecções na rua 5 Outubro, uma Padaria existiu ali antigamente sómente de venda de Pão de milho, lugar pobre nos anos 20. A partir daí os lugares mais apraziveis dessa década, resumia-se às Tabernas, Mercearias e o retalho abundante, onde a troca por vezes era uma constante em bens alimentares e não só. A ele se juntava o feijão, a couve, a batata, o azeite, o vinho, a castanha, o porco, a cabra e pouco mais.Já existiam poucos e bem aparecidos de todos os lados, Alfaiates, Sapateiros, Tanoeiros, Talhantes, Lojas de Fazendas, Ourives, Aguadeiros, Taberneiros, Azeiteiros, Pincheleiros, bem uma “Catrefada” de gente oriunda de todo País que aqui se radicou e foi ficando, bem como hábitos e costumes e até nas roupas tradicionais bastante antigas, tivemos de tudo. Amén.
Crónica por, Augusto Gil









