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Opinião

O imobiliário não é um Plano B. É uma Profissão

Por: Daniel Cepa 02 de setembro, 2026 2 minutos de leitura

Durante demasiado tempo, a mediação imobiliária foi encarada por alguns como uma atividade de entrada fácil, uma alternativa profissional ou até um “plano B”. A minha visão é exatamente a oposta: o imobiliário é uma profissão exigente, complexa e de enorme responsabilidade.

Ser consultor imobiliário está muito longe de se resumir a colocar uma placa, publicar um imóvel nas redes sociais, abrir uma porta para uma visita e esperar que alguém compre. Um verdadeiro profissional tem de possuir conhecimentos em diferentes áreas. Tem de compreender legislação, fiscalidade, documentação imobiliária, financiamento e procedimentos associados a uma transação. Tem de saber comunicar, negociar e, acima de tudo, lidar com pessoas.

Precisa de conhecimentos básicos de inglês, capacidade para trabalhar com CRM, plataformas imobiliárias, sistemas operativos, e-mail, redes sociais e outras ferramentas tecnológicas que hoje fazem parte do nosso quotidiano. E depois existe aquilo que nenhuma tecnologia substitui: a componente humana.

Trabalhamos com património, mas sobretudo com pessoas

Comprar ou vender uma casa é, para muitas famílias, uma das maiores decisões financeiras das suas vidas. Por detrás de cada imóvel existem histórias, expectativas, dificuldades, separações, heranças, mudanças profissionais, investimentos, famílias que crescem e pessoas que procuram simplesmente começar uma nova etapa. Por isso, o nosso trabalho exige escuta, empatia, responsabilidade, capacidade de gerir expectativas e disponibilidade

É preciso qualificar compradores, perceber a sua capacidade financeira, preparar imóveis, estudar mercados, organizar documentação, acompanhar visitas, negociar propostas e coordenar proprietários, compradores, bancos, intermediários de crédito, advogados, solicitadores, notários, conservatórias e tantas outras entidades. E quando surge um problema, porque surgem, espera-se que sejamos parte da solução.

Não vendemos apenas casas. Gerimos confiança.

Um profissional imobiliário deve proporcionar segurança a quem vende e a quem compra. Temos igualmente responsabilidades no cumprimento das obrigações relacionadas com a prevenção do branqueamento de capitais. Não somos meros espectadores de uma transação: fazemos parte de uma cadeia de profissionais e entidades que deve contribuir para a transparência e segurança do mercado.

Também acredito que podemos e devemos ser parte da solução para os desafios da habitação. Conhecemos proprietários, compradores, investidores, construtores e promotores. Conhecemos o mercado no terreno, muitas vezes rua a rua. Essa experiência deve ser utilizada com responsabilidade.

Tudo isto torna difícil aceitar a ideia de que qualquer pessoa, sem preparação, formação ou padrões profissionais mínimos, possa exercer esta atividade como se estivéssemos perante uma profissão sem consequências.

O setor precisa de mais profissionalização

Defendo um mercado imobiliário mais profissionalizado, mais fiscalizado e mais exigente. Devem existir conhecimentos mínimos, formação contínua, princípios éticos e padrões claros para quem pretende exercer esta profissão.

Não para criar barreiras artificiais à entrada, mas para proteger consumidores, dignificar os bons profissionais e elevar a qualidade de todo o setor. Porque experiência, por si só, também não chega. Estar há 10, 15 ou 20 anos no imobiliário não significa automaticamente ser um bom profissional. O tempo de atividade não substitui competência, atualização, ética, responsabilidade ou valores.

Da mesma forma, alguém com menos anos de profissão, mas que estuda, se forma, respeita os clientes, domina as ferramentas necessárias e trabalha com rigor, pode representar muito melhor aquilo que esta profissão deve ser. A antiguidade não pode ser o único certificado de competência.

É uma profissão. E deve ser tratada como tal

Precisamos de pessoas preparadas para assumir a responsabilidade que existe quando alguém coloca nas nossas mãos um património construído durante uma vida inteira. Precisamos de profissionais capazes de dizer “não sei, vou informar-me”, em vez de transmitir informação errada. De pessoas que saibam que nem tudo vale para conseguir uma angariação, uma proposta ou uma comissão. Precisamos de formação, conhecimento, ética, transparência e responsabilidade.

Eu escolhi olhar para o imobiliário desta forma. Como uma profissão onde existem objetivos e resultados, naturalmente, mas onde existem primeiro pessoas, relações e confiança. Uma profissão onde ajudamos a resolver problemas, protegemos património, gerimos expectativas e participamos na concretização de alguns dos maiores projetos da vida dos nossos clientes.

O imobiliário não é um Plano B. É uma Profissão.

E quanto mais cedo o setor, os profissionais e a sociedade o encararem dessa forma, melhor será o mercado imobiliário que estaremos a construir para o futuro.

Paulo Frutuoso
CEO | HOME Imobiliária

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