Economia

Adega Cooperativa de Almeirim lança nova gama Marachas com quatro vinhos monocasta

Por: Daniel Cepa 20 de outubro, 2026 7 minutos de leitura

A Adega Cooperativa de Almeirim apresentou, na sexta-feira, 16 de outubro, a nova gama Marachas, composta por quatro vinhos monocasta produzidos a partir de Fernão Pires, Arinto, Touriga Nacional e Castelão.

O lançamento decorreu nas instalações da empresa e incluiu uma visita à adega, uma prova dos novos vinhos e um jantar. A apresentação foi conduzida pelos enólogos António Ventura e Romeu Gonçalves.

A nova gama procura evidenciar as características de cada variedade, aliando a identidade dos vinhos portugueses a um perfil fresco, elegante e contemporâneo.

O Fernão Pires e o Arinto dão origem às duas referências de vinho branco, enquanto o Touriga Nacional e o Castelão foram utilizados na produção dos dois tintos. Entre as castas escolhidas, destacam-se o Fernão Pires e o Castelão pela ligação à Região Vitivinícola do Tejo.

Manuel Gabirra, presidente da Adega Cooperativa de Almeirim, mostrou-se confiante na aceitação dos novos vinhos pelos consumidores.

“As expectativas são boas. Os quatro vinhos que foram provados têm uma qualidade excelente e espero que tenham muito sucesso”, afirmou.

Segundo Romeu Gonçalves, a criação da nova gama Marachas resultou de um projeto iniciado há cerca de dois anos.

“Esperamos que seja um produto de que o consumidor goste e que desfrute. É um projeto que iniciámos há cerca de dois anos”, explicou o enólogo.

Romeu Gonçalves destacou particularmente o Castelão, que considera uma casta tinta nobre da região, e o Fernão Pires, variedade que classifica como a “casta rainha”.

“Lançámos um Touriga Nacional e um Castelão, que é a casta tinta nobre da nossa região, ambos da zona da Charneca. Lançámos também um Arinto e um Fernão Pires, que, para mim, é a casta rainha, a melhor casta que temos neste país e uma variedade que nos permite fazer tudo”, afirmou.

O responsável espera que os quatro novos vinhos sejam bem recebidos pelo mercado e permitam reforçar a valorização das castas nacionais e do património vitivinícola da região.

Romeu Gonçalves, enólogo da Adega Cooperativa de Almeirim

Vinhos pensados para as preferências atuais

A gama foi desenvolvida tendo em conta as atuais preferências dos consumidores, com vinhos frescos, de acidez marcada, elegantes e com uma estrutura menos pesada.

“Nós fazemos vinhos para o consumidor e não para nós. Fazemos os vinhos de acordo com aquilo que o consumidor procura”, sublinhou Romeu Gonçalves.

De acordo com o enólogo, as gerações mais jovens e os restantes consumidores têm procurado propostas mais leves e descontraídas, capazes de se adaptarem a diferentes ocasiões de consumo.

“Neste caso, fizemos vinhos bastante frescos, com boa acidez e elegantes, sem uma estrutura excessiva. Hoje, os jovens e os consumidores querem coisas mais descontraídas, e foi essa a linha que seguimos”, explicou.

A nova gama Marachas pretende, desta forma, proporcionar uma experiência versátil, mantendo a autenticidade de cada variedade e reinterpretando as castas portuguesas através de uma abordagem moderna.

Apesar do lançamento de uma gama com um posicionamento distinto, Manuel Gabirra destacou a importância que o Cacho Fresco continua a assumir na atividade comercial da cooperativa.

“O Cacho Fresco é o ex-líbris desta adega. É um vinho que praticamente já não precisa de ser lançado, porque as pessoas conhecem-no e gostam dele. Tem um preço acessível e uma qualidade imbatível para esse preço”, afirmou.

O presidente adiantou que a adega pretende continuar a apresentar novos produtos, embora de forma gradual e acompanhando a evolução do mercado.

“Vamos avançando com algum progresso, mas não pode ser tudo de uma vez. A equipa de enologia está sempre a tentar desenvolver produtos novos e, quando existirem novidades, serão apresentadas”, referiu.

Vindima cresce cerca de 15%

Durante a apresentação, Romeu Gonçalves e Manuel Gabirra fizeram um balanço positivo da vindima de 2026.

A Adega Cooperativa de Almeirim recebeu este ano cerca de mais 15% de uva do que na campanha anterior, apresentando os vinhos brancos, tintos e rosés, segundo Romeu Gonçalves, bons indicadores de qualidade.

“Tivemos um pouco mais de uva e os vinhos estão bons. Tanto os tintos como os brancos e os rosés apresentam qualidade. Avizinha-se um bom ano”, afirmou o enólogo.

Manuel Gabirra destacou as condições meteorológicas registadas durante a vindima e a qualidade das uvas entregues pelos associados.

“Esta vindima correu muito bem, com vinhos de excelente qualidade. A temperatura esteve muito boa e as uvas atingiram o grau que os técnicos desejavam”, explicou o presidente.

O responsável alertou, contudo, para as dificuldades comerciais enfrentadas pelo setor, considerando que o principal desafio já não está na produção, mas na venda do vinho.

“Agora, a dificuldade não é fazer a vindima. É vender o vinho e receber o respetivo valor, porque os associados não vivem de outra maneira”, afirmou.

Segundo Manuel Gabirra, a Adega Cooperativa de Almeirim tem conseguido enfrentar essa dificuldade graças ao peso do vinho engarrafado na atividade da empresa.

“Felizmente, temos conseguido superar essas dificuldades, porque vendemos vinho engarrafado em grande escala. As coisas têm progredido e têm sido realizadas com sucesso”, acrescentou.

Prémios recebidos pela adega trazem “alegria“

Manuel Gabirra destacou também os prémios recentemente conquistados pela cooperativa, considerando que as distinções representam o reconhecimento da qualidade dos vinhos produzidos em Almeirim.

“Foi uma alegria. Ficámos todos satisfeitos e felizes, porque não é fácil receber tantos prémios numa noite de gala. Fomos premiados com sucesso e isso deixou-nos muito contentes”, declarou.

Para o presidente, o futuro da adega dependerá da qualidade das uvas e do trabalho conjunto entre os produtores associados e a equipa técnica.

“Temos um conjunto de associados de grande qualidade, que entrega as uvas de acordo com aquilo que os técnicos pedem. Penso que a adega vai melhorar cada vez mais e apresentar vinhos com ainda maior qualidade”, concluiu.

Manuel Gabirra, presidente da Adega Cooperativa de Almeirim


A maior Adega do país em produção própria

Fundada em 1958, a Adega Cooperativa de Almeirim é a maior adega do país em produção própria, com uma produção anual ronda os 20 milhões de litros de vinho. Durante a época das vindimas, a adega recebe e processa mais de 20 milhões de quilos de uvas provenientes das explorações dos associados.

Conta atualmente com 195 produtores associados e cerca de 1200 hectares de vinha, distribuídos entre a Lezíria e a Charneca.

A empresa dispõe de linhas automatizadas de engarrafamento com uma capacidade conjunta anunciada de cerca de 16 mil garrafas por hora, distribuída por duas linhas com capacidades de seis mil e dez mil garrafas por hora.

A Adega Cooperativa de Almeirim tem realizado investimentos na modernização das instalações, incluindo linhas de enchimento, prensas pneumáticas, filtros de vácuo, cubas de aço inoxidável, sistemas de refrigeração e equipamentos de controlo das temperaturas de fermentação.

Os dados mais recentes disponibilizados pela própria adega apontam para 1200 hectares e 20 milhões de litros anuais.

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