No Titanic Petisco, no passado domingo, 25 de outubro, realizou-se uma palestra integrada no Outubro Rosa, organizada por Lia Rodrigues, proprietária do espaço, sob o mote «Três Mulheres, a Voz de Todas». Cátia Consciência, Ângela Henriques e Andreia Tavares partilharam as suas experiências de luta contra o cancro, num encontro marcado pela emoção, pela sensibilização e pela importância de valorizar a vida.
Cátia contou que, com 19 anos, em 2013, após o nascimento do filho, desenvolveu um linfoma de Hodgkin. Em 2017, surgiu um cancro da tiroide, encontrando-se atualmente em recuperação, com acompanhamento clínico. Chegou a ouvir que teria poucos dias de vida, experiência que marcou profundamente a sua forma de ver o mundo. O seu testemunho destacou a importância de não desistir, de manter a vontade de lutar e de aprender a relativizar os problemas do quotidiano, valorizando cada momento.
Ângela Henriques foi diagnosticada com cancro da tiroide aos 20 anos, em 2010, e mantém acompanhamento clínico. A sua história evidencia como a doença pode surgir em fases muito jovens da vida, trazendo desafios e obrigando a enfrentar medos e incertezas.
Andreia Tavares, em 2023, com 28 anos e um bebé de apenas oito meses, que ainda amamentava, detetou um caroço na mama e sentiu medo, levando-a a procurar ajuda médica. Seguiu-se um percurso de tratamentos que incluiu quimioterapia, encontrando-se atualmente a fazer hormonoterapia.
Apesar das diferenças entre as três histórias, os testemunhos convergiram numa mensagem comum: mesmo perante o medo e a incerteza, é possível encontrar forças para continuar. A experiência da doença levou-as a olhar para a vida de outra forma, a dar mais valor aos afetos e a reconhecer que muitas das preocupações diárias perdem dimensão quando confrontadas com os verdadeiros desafios da existência.
O trabalho da Unidade de Patologia Mamária
A sessão contou ainda com a apresentação do trabalho da Unidade de Patologia Mamária do Hospital Distrital de Santarém, com a participação das médicas Madalena Nogueira e Sofia Estevinho.
Esta unidade da ULS da Lezíria foi criada em 1998, ainda sob a designação de Unidade de Senologia, e tem sido, por diversas vezes, alvo de reconhecimento internacional. Durante a sessão, as médicas explicaram o acompanhamento dos casos clínicos e salientaram a importância da prevenção e da deteção precoce, fundamentais para melhorar o prognóstico e aumentar as possibilidades de recuperação.
Foi também realçado que o cancro da mama não afeta exclusivamente as mulheres. Embora seja muito mais frequente no sexo feminino, cerca de 1% dos casos ocorre em homens. Segundo os dados apresentados, a Unidade de Patologia Mamária acompanha, em média, três a quatro homens por ano com esta doença. No caso das mulheres, são registados cerca de 200 novos casos anuais na unidade, uma realidade que continua a aumentar.
A importância do autoexame e da vigilância perante qualquer alteração suspeita foram igualmente sublinhadas. Foi ainda destacada a relevância do rastreio do cancro da mama na faixa etária dos 45 aos 74 anos, bem como a importância de agir atempadamente: quanto mais cedo a doença for detetada, maiores poderão ser as possibilidades de tratamento eficaz e de recuperação.
Perante alterações suspeitas, a via preferencial é contactar o médico de família, que poderá orientar a situação e encaminhar a doente. Existe também a possibilidade de contactar diretamente a Unidade de Patologia Mamária do Hospital Distrital de Santarém, por telefone ou correio eletrónico, para obter informações sobre o acompanhamento disponível.

O acompanhamento para além do tratamento clínico
O papel dos profissionais de saúde não se limita ao diagnóstico e ao tratamento. Isabel Cristina, assistente administrativa, destacou a importância do trabalho de retaguarda e da articulação entre unidades, garantindo o encaminhamento das doentes para tratamentos, exames de diagnóstico ou outras respostas necessárias.
Por sua vez, a enfermeira Soraia Pires salientou o papel de proximidade que desempenha junto das doentes, acompanhando-as ao longo de todo o percurso, em articulação com a equipa médica. Para além dos cuidados de enfermagem, este acompanhamento passa também pela atenção ao estado emocional de cada mulher, procurando oferecer apoio, segurança e confiança nos diferentes momentos da doença.
Este trabalho de presença, escuta e acompanhamento é particularmente importante perante o impacto psicológico de um diagnóstico de cancro, que pode ser vivido como um verdadeiro terramoto emocional. O apoio dos profissionais de saúde ajuda a enfrentar o medo, as dúvidas e a incerteza, lembrando às doentes que não têm de percorrer este caminho sozinhas.
Três histórias, uma mensagem de esperança
A iniciativa «Três Mulheres, a Voz de Todas» foi muito mais do que uma palestra de sensibilização. Foi um espaço de partilha em que Cátia, Ângela e Andreia deram voz à coragem, à vulnerabilidade e à esperança, mostrando como a experiência da doença pode transformar a forma de olhar para o mundo.
Nos seus testemunhos, ficou a importância de não baixar os braços, de encontrar ânimo para continuar e de dar um novo significado às pequenas coisas do quotidiano. Porque, perante a adversidade, a vida pode ganhar outra dimensão e os afetos, os momentos partilhados e a esperança tornam-se ainda mais preciosos.
Dar voz a estas mulheres é também dar voz a tantas outras que enfrentam o cancro em silêncio. É sensibilizar para a prevenção e a deteção precoce, mas também recordar que, por detrás de cada diagnóstico, existe uma pessoa que precisa de informação, acompanhamento e apoio emocional.












