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Sociedade

Adega Fiúza – Trabalhar o vinho dentro de uma obra de arte

Por: admin 15 de fevereiro, 2020 2 minutos de leitura

As empresas têm um papel importante na promoção e divulgação da arte. Através do mecenato ou do investimento em artistas, o sector privado, sejam empresas ou particulares, desempenham um papel fundamental na salvaguarda e projeção de obras de arte e de seus artistas. Foi um caso de investimento em arte, especificamente arte mural, que divulgámos na 3º edição do programa Cultur.Alm da Almeirinense TV. Para nos falar sobre um projeto artístico pioneiro, foi nosso convidado Giovanni Fiuza Nigra, gerente da empresa Fiuza, em Almeirim.

Produzindo vinhos há séculos nos 120 hectares de produção que tem nas quintas ribatejanas, a família Mascarenhas Fiuza iniciou a atividade empresarial vitivinícola no início do século XX pela mão de Joaquim Mascarenhas Fiuza. Da parceria com o enólogo australiano Peter Bright em 1986, surge a empresa Fiuza & Bright que se destaca pelo pioneirismo da introdução das castas francesas em Portugal, numa combinação com Touriga Nacional, Aragonez, Arinto, Vital, Fernão Pires ou o Alvarinho, as castas portuguesas. Com vários prémios e medalhas nacionais e internacionais, a Fiuza tem visto reconhecida a qualidade do seu vinho ao longo dos anos. Hoje, os mercados de exportação representam já cerca de 50% do volume de vendas da empresa, com a Suécia, a Alemanha, os EUA e a Polónia como os principais países de exportação

E já que falamos de pioneirismo e reconhecimento, Joaquim Mascarenhas Fiuza também levou longe o nome de Portugal. Através do desporto náutico, a vela, na categoria “Star”, alcançou prémios internacionais, salientando-se a sua participação nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, de Londres em 1948 e em 1952, em Helsínquia, onde ganhou a Medalha de Bronze. Neste mesmo ano conseguiu o quarto lugar no Campeonato do Mundo e em 1957 e 1958, foi campeão da Europa. Por nove vezes foi ainda Campeão Nacional.

A necessidade de remodelar a adega, fez surgir a ideia de juntar arte com o vinho. Giovanni Fiuza Nigra, neto de Joaquim Mascarenhas Fiuza, ficou surpreendido quando a sua tia, Maria Luiza Fiuza Guedes de Queiroz, senhora de uma certa idade, pegando no Ipad lhe mostrou que queria a adega graffitada. Foram convidados vários artistas da região a apresentar propostas, a partir das ideias pensadas para a adega e com temas alusivos ao vinho – barricas, vinhas, uvas. Foram selecionados dois grafitteres, o Francisco Camilo e o Ivo Smile. Foi um projeto que levou cerca de 2 anos a concretizar porque além da dimensão do graffiti (numa área de cerca de 3000m2) foi preciso ter em consideração as condições meteorológicas. Para Giovanni Fiuza Nigra “isto é um vício”. Além da manutenção da obra, que anualmente tem de ser efetuada, há sempre a vontade de fazer mais desenhos. Neste momento, estão a “graffitar” as barricas que depois entregam a empresas e a clientes. A arte mural vai continuar porque só cerca de 80% está concretizado. Há seis meses, o Francisco Camilo replicou numa parede um desenho cubista de um artista brasileiro. Mas a combinação de vinho com arte, sempre foi uma preocupação da empresa. Nos anos 80 do século passado, os rótulos das garrafas tinham por base um quadro de natureza morta feito especialmente para a Fiuza. Para o gerente da empresa, na hora de comprar, a imagem da garrafa é um factor de escolha.

No final, o Giovanni Fiuza Nigra faz um balanço positivo. Este investimento tem algum retorno uma vez que foi pensado de forma a trazer pessoas à adega. Há visitas praticamente diárias à adega, dentro do horário de expediente, com entradas gratuitas para os almeirinenses. O espaço da adega serve também para a realização de eventos.

A mais profunda linha da tradição ribatejana, a produção de vinho alia-se à modernidade neste abraço à arte mural. Se muitas vozes críticas ainda associam uma dose de rebeldia aos “graffiter”, este é um exemplo como, através da arte se transforma o pensamento. A arte, afinal, pode ser um valioso aliado para o desenvolvimento económico. Basta visão estratégica, a rebeldia dos tempos modernos.

FIÚZA

A Família Mascarenhas Fiuza dedica-se à vitivinicultura há mais de um século. A empresa iniciou a sua atividade no início do Século XX. O Sr. Jo- aquim Mascarenhas Fiuza, filho de D. Luísa Mascarenhas (irmã do 10º Marquês de Fronteira e 9º Marquês de Alorna) começou a produzir vinho com o seu tio nas propriedades da Família Masca- renhas Fiuza que há séculos que tem Quintas na região. Em 1986, surge a parceria entre o produtor de vinhos Joaquim Masca- renhas Fiuza e o prestigiado enólogo australiano Peter Bright donde nasce a empresa Fiuza & Bright. Pioneira na produção das castas francesas em Portugal, a Fiuza & Bright produz nas suas duas quin- tas (Quinta da Requeixada e Quinta da Granja) as principais castas por- tuguesas como a Touriga Nacional, Aragonez, Arinto, Vital, Fernão Pires ou o Alvarinho e também algumas das principais castas francesas como o Alicante Bouschet, o Cabernet Sau- vignon, o Merlot, Syrah, o Chardon- nay ou o Sauvignon Blanc. As suas vinhas situam-se na região do Tejo, na região demarcada de Santarém e de lá têm saído alguns dos melhores vinhos portugueses, que são produzidos exclusivamente na sua Adega em Almeirim. Como consequência de todo esse trabalho e cuidado, a Fiuza têm recebido vários prémios e medalhas ao longo dos últimos anos. Mas não só nos vinhos, Joaquim Mascarenhas Fiuza conquistou me- dalhas. De facto, o seu dia a dia divi- dia-se entre a atividade vitivinícola e o famoso desporto náutico, a Vela, na categoria “Star”. Enquanto atleta, protagonizando participações vitoriosas nas mais variadas provas e países, destacou- -se sobretudo nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, de Londres em 1948 e em 1952, em Helsínquia, ten- do neste último ganho a merecida Medalha de Bronze. Nesse mesmo ano de 52, em dupla com Rebelo Carvalho, conseguiu o quarto lugar no Campeonato do Mundo. Em 1957 e 1958, concretizou um sonho de ser Campeão da Europa. Por nove vezes foi ainda Campeão Nacional.

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