Nasceu em Almeirim nos anos 50 do século passado. Lembra-se de, ainda miúdo de escola, gostar de desenhar. Chegou, nessa altura, a ganhar um prémio, na 2ª classe, com um desenho que fez. Mas a vida teve outro rumo e a pintura só foi pensada a tempo inteiro, quando a sua atividade profissional cessou.
Inicialmente, o pastel foi a sua primeira abordagem. Sem formação académica na área das artes plásticas, Carlos Cerveira frequentou aulas de pintores e aguarelistas. Começou em 2007, com Romarina Passos; depois, em 2016, com João Cabral mas a sua aprendizagem deve-se, sobretudo, à pesquisa, ao estudo que tem desenvolvido sobre os grandes nomes da aguarela. Para este homem fascinado também pela matemática, a aguarela é um desafio porque sendo uma expressão como outra qualquer forma de arte, não permite grandes erros. A técnica milenar da mistura de pigmento e água exige “perfeição”; não se apaga nem se corrige um traço em falso. Destrói-se em segundos um trabalho de dias ou meses. “É preciso treinar muito” – diz o artista – ”e eu estrago muito papel!”
Porque prefere trabalhar a aguarela? Carlos Cerveira diz que, tal como a matemática, outra das suas paixões, a aguarela obriga a uma técnica muito específica e concreta, que exprime a sua essência: representar a luz dos objetos, das cenas. E, para o pintor, aqui está a dificuldade. Aqui e no “controlo da água” que, como referiu durante a entrevista, pode criar coisas espetaculares por mero acaso, como pode destruir tudo num instante. Fascinado pelos aguarelistas internacionais, Zbukvic e Xavier Swolfs, e grande admirador dos trabalhos de João Cabral, Serrão de Faria e de Paulo Ossião, Carlos Cerveira procura o seu caminho, o seu estilo próprio. Prefere temas associados à paisagem rural, embora os temas urbanos também tenham interesse, sobretudo as estruturas e arquiteturas que estão ligadas à história, como é o caso da Casa da Água, em Almeirim, ou os monumentos de Santarém. Mas também já fez retratos, sobretudo a pedido de amigos. Para Cerveira, a pintura é uma forma de contar histórias que gosta de imortalizar: episódios simples da vida, como foi o caso do melro de um seu amigo que fugiu e que Cerveira retratou na fachada de um edifício. Em 2019 participou numa exposição coletiva no Fórum Mário Viegas, em Santarém, e as aguarelas que foram vendidas à posteriori, “renderam apenas para a compra de dois pincéis”, confessou Carlos Cerveira, acrescentando que só “os grandes nomes da aguarela conseguem viver da arte porque têm patrocínios e fazem workshops pelo mundo inteiro”.
Quanto a projetos futuros, provavelmente voltará a expor no Fórum Mário Viegas mas gostava de ter uma exposição individual na Casa dos Patudos, uma vez que o Dr. Nuno Prates, conservador do Museu, já demonstrou interesse.










