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Opinião

Bronquiolite: O que é, afinal?

Por: Inês Ribeiro 01 de março, 2026 2 minutos de leitura

A bronquiolite é uma infeção viral aguda das vias respiratórias, que afeta as crianças durante os primeiros dois anos de idade. 

O vírus sincicial respiratório (VSR) é responsável por cerca de 75% dos casos, mas existem outros que também podem causar a doença, nomeadamente, o adenovírus, o rinovírus, o vírus Influenzae, entre outros. Estes vírus causam desconforto respiratório, já que provocam uma inflamação dos bronquíolos, que são a porção terminal e mais pequena dos brônquios.

Os bebés abaixo dos seis meses de idade são particularmente vulneráveis, devido à sua imaturidade imunitária e à anatomia característica das suas vias respiratórias. Para além deste grupo, são mais suscetíveis e têm risco acrescido, as crianças que nasceram prematuramente, as filhas de pais fumadores, as que têm doença cardíaca, respiratória, neuromuscular, metabólica ou algum tipo de imunodeficiência.

A infeção propaga-se através das gotículas de saliva. Ocorre com maior frequência nos meses frios, porque as crianças permanecem mais tempo em recintos fechados e, por vezes, mal ventilados. A maior proximidade com pessoas doentes facilita o contágio e a contaminação de mais crianças. 

A maioria das bronquiolites tem um curso benigno, não necessita tratamento e não deixa sequelas. A doença costuma iniciar-se com obstrução e corrimento nasal e, posteriormente, tosse e pieira, que é um ruído audível na expiração, vulgarmente designado por “gatinhos”. Pode existir febre. Excecionalmente, pode evoluir para cansaço e dificuldade respiratória. Movimentos oscilatórios do abdómen do bebé quando respira, depressões visíveis entre as costelas e na região inferior do pescoço, cansaço, prostração, respirações irregulares, paragens respiratórias (apneias) e uma cor azulada dos lábios e língua são sinais indicadores de gravidade da doença. O cansaço pode comprometer a capacidade da criança em se alimentar, o que pode complicar-se com desidratação e desnutrição. Vómitos persistentes, ingestão de metade da quantidade da comida habitual em duas ou mais refeições, recusa alimentar por mais de seis horas ou diminuição significativa do volume urinário constituem outros sinais de alerta, que exigem observação médica. 

O tratamento destina-se a aliviar os respetivos sintomas. A febre trata-se com paracetamol. O alívio da obstrução nasal requer aspiração das secreções e elevação da cabeceira para dormir. A desidratação previne-se reforçando a ingestão de líquidos de forma fracionada. Refeições mais ligeiras e mais frequentes evitam a desnutrição. Os xaropes para a tosse e os aerossóis não estão indicados. Os antibióticos não têm qualquer efeito na evolução da situação, já que não tratam os vírus. Para além disso, o seu uso indevido proporciona o aparecimento de bactérias superpotentes, resistentes e intratáveis com os antibióticos disponíveis. As situações mais graves podem requerer internamento para garantir hidratação, reforço nutricional, suplemento de oxigénio ou apoio à ventilação. 

O diagnóstico é clínico e, normalmente, não requer exames complementares. Estes ficam reservados para os casos complicados e/ou de maior gravidade. 

A doença pode ser prevenida através do cumprimento escrupuloso das regras de etiqueta respiratória, amplamente divulgadas durante a pandemia: lavar frequentemente as mãos com água e sabão, tossir ou espirrar para um lenço de papel ou para o antebraço e, no caso de adultos, usarem máscara sempre que se encontram doentes. Para além disso, as crianças não devem permanecer em ambientes com aglomerados de pessoas ou com fumo e, mesmo longe das crianças, os pais não devem fumar. Embora as crianças não devam viver isoladas “numa redoma”, as visitas e a proximidade com adultos doentes durante os períodos mais frios são dispensáveis aos mais pequeninos. Adicionalmente e, com o intuito de proteger os mais vulneráveis, desde 2024 que, em Portugal, é administrada gratuitamente uma vacina específica contra o VSR. Ela é realizada após o nascimento e durante os meses mais frios de outono/inverno.

Crianças que sofreram três ou mais bronquiolites, com outros sintomas associados (diarreia ou má progressão ponderal, por exemplo), ou com história familiar de alergias ou asma merecem avaliação e abordagem particulares. 

Em suma, a bronquiolite é uma infeção viral que afeta as crianças nos primeiros dois anos de vida. Apesar de normalmente ter um curso benigno, não ter tratamento específico e não deixar sequelas, os grupos de crianças mais vulneráveis merecem uma proteção especial. O conhecimento e monitorização dos sinais de gravidade permitem intervir precocemente no curso das formas menos benignas. Em Portugal, a administração gratuita da vacina contra o VSR aos grupos de risco constitui uma forma acrescida de prevenir a gravidade da doença.

Opinião, por Teresa Gil martins

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