O Festival Internacional de Folclore, Culturas e Artes está de volta e, este ano, com uma programação mais alargada. Ricardo Casebre explica ao detalhe as novidades e a importância que o certame já tem na região.
Quais são os principais objetivos do festival desde a sua criação?
O objetivo central é promover o intercâmbio cultural e a preservação das tradições populares. Queremos trazer “o mundo aqui tão perto”, permitindo que a comunidade local conheça culturas de outros continentes sem sair de casa, enquanto promovemos Almeirim além-fronteiras.
O que pode o público esperar da próxima edição? Há novidades?
Para 2026, a grande novidade é o alargamento do calendário: o festival passará a ter mais dias, decorrendo de 24 de abril a 3 de maio. Podem esperar mais cor nas ruas, novas comitivas internacionais e uma gala inaugural gratuita no Multiusos de Almeirim.
Como é feita a seleção dos participantes/artistas/grupos presentes no festival?
A seleção é rigorosa e feita pela Organização. Os grupos interessados submetem as suas candidaturas e, após serem selecionados, devem confirmar a sua presença e tratar da logística internacional (voos), sendo que a organização assegura o suporte logístico e estadia após a chegada a Portugal.
Organizar um festival como o FIFCA implica muitos desafios. Quais têm sido os maiores?
A logística de acolher centenas de participantes de vários países é o maior desafio. Garantir alojamento, alimentação e transporte para todas as comitivas em múltiplos concelhos parceiros exige uma coordenação minuciosa e uma equipa de voluntários (“a equipa invisível”) muito dedicada.
Que papel têm os apoios institucionais e parcerias na concretização do evento?
São fundamentais. A Câmara Municipal de Almeirim e o Crédito Agrícola são parceiros estruturantes. O festival também cresce através de parcerias com outros municípios (como Alpiarça, Benavente, Coruche, entre outros), o que permite descentralizar os espetáculos.
É difícil manter a sustentabilidade do festival ao longo dos anos?
É um esforço constante. A sustentabilidade depende da manutenção destas parcerias e da capacidade de envolver a comunidade. O processo de certificação internacional do festival tem aumentado a nossa responsabilidade e ajudado a consolidar a sua continuidade.
Que importância tem o FIFCA para o concelho de Almeirim e para a região?
Tem um impacto cultural e económico enorme. Durante o festival, a região torna-se um palco global, atraindo visitantes e dinamizando o comércio e turismo local. Um dos grandes contributos para este crescimento é a Exposição ‘Trajes do Mundo, Culturas e Artes’. Esta mostra não é apenas um complemento aos espetáculos, mas um verdadeiro ponto turístico para o município, que permite aos visitantes uma viagem visual pelos cinco continentes através do espólio de trajes tradicionais. É uma forma de manter o festival vivo na cidade, criando um ponto turístico para a cidade, um roteiro cultural que educa e encanta quem nos visita, afirmando Almeirim como um centro de acolhimento de culturas
Sente que o festival já conquistou um lugar de destaque na região ou mesmo a nível nacional?
Sim, o FIFCA é hoje uma referência no folclore internacional em Portugal. O facto de envolver até oito municípios, simultaneamente, demonstra uma escala e relevância que ultrapassa largamente os limites do concelho.
De que forma o festival envolve a comunidade local?
Este Festival, desde a sua conceção, foi pensado com um forte cariz social, sair dos palcos para ir ao encontro de um público que, habitualmente, não assiste às Galas ou espectáculos. Estamos a falar dos agrupamentos de escolas que permitam levar a cultura aos mais jovens através da cultura e tradições dos povos, numa partilha de identidade que tanta falta faz num mundo cada vez mais globalizado, temos workshops nas escolas e atuações descentralizadas pelas freguesias. Bem como a visita a creches, lares e centros de dia, onde se juntam os pequeninos em princípio de conhecimento cultural e os seniores que não conseguem, muitos deles, assistir a momentos culturais desta dimensão. A comunidade não é apenas espetadora; ela acolhe e convive com os artistas.
O que o motivou, pessoalmente, a estar ligado à organização do FIFCA?
A paixão pela cultura popular e o desejo de mostrar que Almeirim tem capacidade para organizar eventos de dimensão internacional, unindo povos através da arte.
Há algum momento marcante que guarde com especial carinho?
As cerimónias de saudação às bandeiras na Praça Lourenço de Carvalho são sempre emocionantes, pois simbolizam a união de todas as nações presentes sob o céu de Almeirim.
O que ainda falta concretizar no festival?
Queremos continuar a melhorar as condições de acolhimento e chegar a mais países que ainda não estiveram presentes, diversificando ainda mais a oferta cultural.
Quais são os planos para o futuro do FIFCA?
O plano imediato é o sucesso da edição de 2026, com o formato alargado e a concretização da Exposição de Trajes do Mundo Culturas e tradições. A longo prazo, pretendemos reforçar a rede de parcerias municipais e consolidar o festival no roteiro internacional de grandes eventos de folclore. Para isso, é preciso pensar este evento com mais profissionalismo.
Há ambição de crescimento ou internacionalização do evento?
O evento já é internacional por natureza, mas queremos aumentar a sua projeção externa para que grupos de todo o mundo coloquem Almeirim como destino prioritário nas suas digressões.
Como imagina o festival daqui a 5 ou 10 anos?
Imagino um festival com melhores condições de alojamento e transportes para as comitivas que nos visitam, com uma dinâmica mais tecnológica na sua comunicação, mas mantendo a essência humana e tradicional, sendo um marco incontornável no calendário cultural de Portugal.
Se tivesse de resumir o FIFCA numa frase, qual seria?
“O Mundo aqui tão perto”.











