Geverton Santos é um rapaz brasileiro, curioso e muito comunicativo e assume que é “incapaz de entrar e sair de um lugar sem ser notado ou sem querer conhecer a história de cada pessoa daquele ambiente.” Sempre positivo e dinâmico, carisma é a palavra que melhor o define.
Como surgiu a decisão de sair do Brasil e vir para Portugal?
Em 2017, saí do Brasil para passar 40 dias de férias entre França e Londres. Em Londres, fiz uma formação na melhor escola de cabeleireiros do mundo, a Tony & Guy. Depois, voltei para o sul de França com a esperança de conhecer barbearias e iniciar um canal no YouTube com entrevistas em barbearias, algo semelhante a um podcast.
No entanto, não encontrei nenhum barbeiro brasileiro no sul da França. Então, fiz uma publicação num grupo de barbeiros no Facebook em Portugal, com a esperança de vir ao país realizar essas entrevistas, mas acabei por desistir ao ver o preço das passagens aéreas.
Voltei para o Brasil e, examente um ano depois, vi que João Pacheco, proprietário da Kings Barbershop, tinha respondido à publicação a dizer que havia vaga para trabalhar na barbearia. Vi ali uma nova oportunidade de voltar à Europa — e foi o que fiz.
Com 23 anos, no dia 8 de junho de 2018, cheguei a Almeirim com a ideia de passar apenas um ano a partilhar e aprender mais sobre o mundo da barbearia. Aqui fui fazendo amigos, conhecendo novos lugares, experimentando novas gastronomias e percebendo melhor o que é viver longe de todos os “backups” possíveis: pais, família e amigos.
Quando chegou a Portugal, imaginava que o seu percurso profissional iria passar pela imagem e vídeo?
Sempre adorei criar imagens. Quando era atleta de patinagem, produzia vários vídeos para clientes em troca de patrocínios. Assim, conseguia viajar e participar em campeonatos. Mas imaginar que isso se tornaria a minha principal fonte de rendimento? Não, nunca imaginei.
Durante algum tempo trabalhou como barbeiro. O que lhe trouxe essa experiência?
Trabalhei como barbeiro durante mais de 11 anos. Toda a experiência veio da minha curiosidade e da vontade de aprender com as pessoas certas. Foram mais de 16 formações, incluindo uma internacional.
Em que momento percebeu que queria dedicar-se totalmente à fotografia e ao vídeo?
Chegou um momento em que já não tinha tempo para mim próprio, nem conseguia dar os 100% na barbearia, muito menos às empresas que me contratavam. Então, tomei a decisão de me focar totalmente na fotografia e no vídeo, embora essa decisão tenha demorado cerca de três anos a ser tomada.
O que o fascina mais no mundo da imagem?
O facto de cada trabalho ser diferente, de conhecer pessoas e lugares novos. Também gosto muito da parte criativa de todo o processo.
Como nasceu o seu estúdio?
Senti que precisava de ter um lugar para chamar de “meu”, onde pudesse criar as minhas próprias ideias e as dos clientes, ter uma ilha de edição onde não faltasse nada. Tive a sorte de poder começar do zero e criar tudo exactamente ao meu gosto.
Foi difícil dar o passo de deixar uma profissão mais estável para apostar num projeto próprio?
Demorei três anos a tomar essa decisão. Financeiramente, já era possível, mas o que mais me custava eram os 30 minutos que tinha com cada cliente na cadeira. Cada conversa, cada experiência criada naquele espaço fazia diferença, e eu sabia que isso me iria fazer falta.
Que tipo de trabalhos gosta mais de realizar?
Aqueles em que posso experimentar novas experiências, aprender sobre determinados assuntos ou ajudar o cliente a gerar mais vendas.
O que procura captar quando está atrás de uma câmara?
Momentos que nunca mais voltam e que ficam apenas recordados em forma de imagem. Ou então criar momentos que talvez nunca existissem, mas que conseguimos tornar reais e eternizar.
Considera que a fotografia e o vídeo contam histórias de uma forma diferente?
Sim. Eu costumo dizer que são duas profissões diferentes a usar o mesmo material. Usando o exemplo da barbearia: existe o barbeiro e o cabeleireiro; o mecânico de carros e o de motas. Ambos trabalham com ferramentas semelhantes, mas o processo criativo é completamente diferente.
Como tem sido a aceitação do seu trabalho em Portugal e na região?
Melhor era impossível. Cada feedback dos clientes, cada venda gerada pelos conteúdos ou até mesmo cada emoção criada através da imagem enche-me de orgulho da pessoa em que me tenho tornado ao longo destes oito anos em Portugal.
Qual foi o trabalho ou projeto que mais o marcou até hoje?
Todos os trabalhos me marcam de alguma forma, mas existem alguns especialmente importantes, como a viagem à Amazónia para filmar um projeto da Siemens ou a campanha política desenvolvida para a Câmara de Salvaterra de Magos. Saber que o meu trabalho foi importante para a vitória da campanha ou, no caso da Siemens, para demonstrar um projeto bem executado pela empresa, marcou-me bastante.
Que importância têm as redes sociais no crescimento do seu trabalho?
Posso dizer que 80 por cento dos meus trabalhos são pensados para as redes sociais dos meus clientes, seja para vender um produto, promover um serviço ou guardar uma memória. Hoje em dia, é o principal veículo de comunicação que utilizo com os meus clientes.
Quais são os maiores desafios de trabalhar na área criativa atualmente?
O maior desafio é perceber que os clientes já têm acesso às ferramentas de IA e muitas vezes chegam com uma ideia “pronta”, deixando parte do processo criativo de lado. Existem ferramentas de IA que nos ajudam bastante, mas ao mesmo tempo, corremos o risco de deixar de ser nós próprios e começar a comunicar todos da mesma forma.
O que sente quando vê um cliente satisfeito com o resultado final?
A satisfação do cliente é reflexo de um alinhamento de expectativas entre ambas as partes. Mesmo assim, é uma sensação difícil de descrever, porque traz uma enorme dose de dopamina — e eu sou movido por dopamina e adrenalina. Por isso, é algo praticamente indescritível.
Que objetivos tem para o futuro do estúdio?
O Máxima Estúdio nasceu como uma homenagem ao meu falecido tio, dono da Máxima Imóveis, uma imobiliária brasileira que se tornou uma das maiores do seu segmento. Por isso, quero que o Máxima Estúdio siga o mesmo caminho e se torne uma referência a nível nacional.













