O movimento cívico “Vamos Fechar o Aterro da Raposa” reuniu recentemente com a administração da Ecolezíria para fazer um ponto de situação sobre o processo de encerramento do Aterro Sanitário da Raposa.
Segundo o grupo, durante o encontro foi apresentado o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, bem como os diversos procedimentos administrativos e burocráticos necessários para concretizar o encerramento da atual célula do aterro.
A Ecolezíria apresentou ainda o seu plano para os próximos anos, que passa pela construção de uma Estação de Triagem para resíduos recicláveis e de uma Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico, estruturas que deverão ser alvo de candidaturas a fundos de investimento nos próximos meses.
Para o movimento, estas infraestruturas representam “passos fundamentais” para garantir uma gestão mais sustentável dos resíduos e evitar a repetição dos problemas que têm marcado a exploração do aterro. Ainda assim, os cidadãos consideram que estas medidas surgem tarde.
“Deveriam ter sido implementadas há 10 anos”, refere o movimento.
Apesar da reunião ter permitido conhecer os projetos em desenvolvimento, os representantes dos moradores saíram com a convicção de que o encerramento da célula atualmente em utilização não acontecerá tão rapidamente como defendem.
O grupo afirma que a administração da Ecolezíria continua a apontar o encerramento como prioridade, mas reconhece dificuldades na procura de soluções alternativas para o encaminhamento dos resíduos produzidos na região.
Segundo o movimento, alguns acordos anteriormente anunciados para a transferência dos resíduos acabaram por não avançar por decisão das entidades que os iriam receber. Existe atualmente um acordo para a receção de parte dos resíduos, mas a sua concretização depende ainda de autorizações da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).
Até lá, parte dos resíduos continuará a ser depositada na Raposa, sendo utilizada na modelação topográfica necessária para o encerramento final da célula.
“Parece-nos evidente que, apesar da vontade desta administração em reverter os erros de gestão de administrações anteriores, as dificuldades irão persistir e o encerramento da célula não se realizará num futuro próximo”, conclui o movimento.
No final da reunião, os representantes do movimento sugeriram à Ecolezíria a criação de mecanismos de comunicação mais próximos da população, através dos canais oficiais da Câmara Municipal de Almeirim, da Junta de Freguesia da Raposa ou de sessões públicas de esclarecimento.
O movimento cívico surgiu na sequência do incêndio ocorrido no aterro em agosto de 2025, episódio que levou vários moradores da Raposa a exigir maior transparência relativamente à gestão da infraestrutura e ao processo de encerramento.
Os cidadãos defendem a realização de uma auditoria ambiental independente, a criação de um grupo de acompanhamento local e a adoção de soluções que garantam a recuperação ambiental da área.
Entre as preocupações apontadas pelos moradores estão os maus odores, os potenciais impactos na saúde pública, a proliferação de insetos e roedores, o risco de contaminação dos solos e aquíferos e a desvalorização imobiliária da zona envolvente.
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