Cresci em Almeirim num tempo em que brincar na rua era algo natural. Íamos a pé para a escola, ficávamos a brincar até escurecer e os nossos pais sentiam que vivíamos num ambiente seguro. Havia proximidade, respeito e um forte espírito de comunidade.
Hoje, como mãe, olho para a realidade atual com preocupação. Aquilo que em tempos foi simples tornou-se motivo de alerta constante. Já não é fácil permitir que as crianças brinquem livremente na rua, circulem sozinhas ou regressem a casa sem supervisão. A sensação de segurança diminuiu e isso reflete-se nas escolhas das famílias.
O impacto migratório, feito muitas vezes sem o devido planeamento, acompanhamento e integração, trouxe desafios reais à segurança e à convivência no concelho. Não se trata de preconceito, mas de reconhecer que quando o crescimento é desorganizado, quem mais sofre é a população local e, sobretudo, as nossas crianças.
Foi precisamente este sentimento de insegurança que pesou na minha decisão de abandonar a minha terra natal e procurar uma aldeia para viver e criar os meus filhos. A tranquilidade, a proximidade entre vizinhos e a liberdade de infância voltaram a ser prioridades.
Falar de segurança é falar de qualidade de vida. É urgente olhar para esta realidade com seriedade, para que Almeirim volte a ser um concelho onde crescer em segurança seja novamente normal.
Mais: Valorização da memória de um concelho seguro.
Porque crescer em segurança foi um privilégio que marcou gerações.
Menos: A insegurança como fator de afastamento das famílias do concelho. Porque quando o medo cresce, as famílias vão embora…
Andreia Tavares – CH Almeirim












