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Opinião

Qualidade de vida

Por: Inês Ribeiro 15 de Janeiro, 2026 2 Minutos de Leitura

Cresci em Almeirim num tempo em que brincar na rua era algo natural. Íamos a pé para a escola, ficávamos a brincar até escurecer e os nossos pais sentiam que vivíamos num ambiente seguro. Havia proximidade, respeito e um forte espírito de comunidade.

Hoje, como mãe, olho para a realidade atual com preocupação. Aquilo que em tempos foi simples tornou-se motivo de alerta constante. Já não é fácil permitir que as crianças brinquem livremente na rua, circulem sozinhas ou regressem a casa sem supervisão. A sensação de segurança diminuiu e isso reflete-se nas escolhas das famílias.

O impacto migratório, feito muitas vezes sem o devido planeamento, acompanhamento e integração, trouxe desafios reais à segurança e à convivência no concelho. Não se trata de preconceito, mas de reconhecer que quando o crescimento é desorganizado, quem mais sofre é a população local e, sobretudo, as nossas crianças.

Foi precisamente este sentimento de insegurança que pesou na minha decisão de abandonar a minha terra natal e procurar uma aldeia para viver e criar os meus filhos. A tranquilidade, a proximidade entre vizinhos e a liberdade de infância voltaram a ser prioridades.

Falar de segurança é falar de qualidade de vida. É urgente olhar para esta realidade com seriedade, para que Almeirim volte a ser um concelho onde crescer em segurança seja novamente normal.

Mais: Valorização da memória de um concelho seguro.

Porque crescer em segurança foi um privilégio que marcou gerações.

Menos: A insegurança como fator de afastamento das famílias do concelho. Porque quando o medo cresce, as famílias vão embora…

Andreia Tavares – CH Almeirim

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