Terça-feira, outubro 27, 2026 12:09
Economia

Almeirim prepara expansão da zona industrial e novas áreas comerciais

Por: Daniel Cepa 27 de outubro, 2026 5 minutos de leitura

A Câmara Municipal de Almeirim pretende ampliar a área destinada à instalação de empresas e criar novas zonas comerciais no concelho, através das alterações previstas na revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), atualmente em fase final.

Joaquim Catalão, presidente da Câmara Municipal de Almeirim, revelou que a autarquia está a trabalhar na alteração da classificação de vários terrenos, com o objetivo de aumentar a disponibilidade de solo para atividades industriais e comerciais.

“Estamos numa fase praticamente final da revisão do Plano Diretor Municipal e existem alguns terrenos cuja classificação pretendemos alterar”, afirmou o autarca, adiantando que estão previstas novas áreas para a instalação de empresas.

Apesar de não revelar, nesta fase, a localização e as características dos projetos em preparação, Joaquim Catalão assegurou que as alterações vão criar novas oportunidades de investimento no concelho.

“Queremos apoiar as empresas que pretendem instalar-se no concelho, porque essa é uma forma de desenvolver a nossa região, a nossa economia e, muito particularmente, o concelho de Almeirim”, explicou.

Um dos principais objetivos da revisão do PDM passa pelo alargamento da zona industrial, numa altura em que várias empresas têm demonstrado interesse em instalar-se em Almeirim.

Segundo Joaquim Catalão, a atual configuração dos terrenos na zona da Rua dos Venâncios, onde está instalada a Mercadona, dificulta a concretização de investimentos de maior dimensão.

Os terrenos disponíveis são, na maioria dos casos, de pequena dimensão e pertencem a vários proprietários. Esta realidade obriga uma empresa que necessite de uma área extensa a negociar simultaneamente com diferentes pessoas.

“Uma empresa que procure, por exemplo, dez hectares pode ter de negociar com dez, 11 ou 12 proprietários. Isso não é economicamente viável e torna também o processo muito difícil do ponto de vista logístico”, salientou.

A Câmara Municipal pretende criar uma área industrial composta por parcelas de maior dimensão, permitindo aos investidores negociar apenas com um ou dois proprietários.

“O que pretendemos é permitir que quem procura instalar-se no concelho tenha de falar apenas com um ou dois proprietários, em vez de dez ou 15. A criação de uma área alargada de solo destinado à indústria constitui um dos nossos principais objetivos”, afirmou Joaquim Catalão.

O desenvolvimento da futura área industrial deverá ser realizado através de uma parceria entre a Câmara Municipal de Almeirim e proprietários privados.

De acordo com o presidente da autarquia, já existem proprietários que manifestaram disponibilidade para disponibilizar terrenos destinados à expansão industrial.

“Nesta fase, está prevista uma parceria com proprietários que já manifestaram disponibilidade para ceder terrenos para a futura zona industrial”, explicou.

O modelo em preparação não deverá passar, pelo menos inicialmente, pela aquisição direta dos terrenos por parte do município.

“Será uma colaboração entre a Câmara Municipal de Almeirim e os privados”, acrescentou o autarca.

Joaquim Catalão considera que o reforço da componente industrial é essencial para assegurar um desenvolvimento económico sustentado e evitar que Almeirim se transforme apenas num concelho residencial.

“Não quero transformar Almeirim num dormitório de Lisboa. Quero criar em Almeirim uma zona económica forte, capaz de responder às necessidades dos nossos habitantes”, declarou.

A estratégia municipal não se limita à indústria. A revisão do PDM deverá contemplar também o aparecimento de novas zonas comerciais e de outros investimentos ligados à gastronomia e à hotelaria.

As declarações foram prestadas no contexto da instalação de um restaurante McDonald’s em Almeirim, investimento que Joaquim Catalão considera positivo para a economia do concelho e para a atratividade regional.

O presidente da Câmara voltou também a defender a instalação de uma unidade hoteleira de maior dimensão em Almeirim.

“Temos frequentemente grandes eventos no concelho e não conseguimos responder à procura de alojamento”, afirmou, considerando que um novo investimento hoteleiro ajudaria a colmatar a insuficiência da oferta existente.

A atração de empresas industriais, espaços comerciais, restauração e hotelaria integra, segundo o autarca, uma estratégia mais ampla de desenvolvimento económico, criação de emprego e fixação de população.

A revisão do PDM contempla igualmente alterações destinadas a responder à crescente procura habitacional no concelho.

Joaquim Catalão relaciona esta pressão com a chegada de população migrante e de famílias provenientes da Área Metropolitana de Lisboa, atraídas por habitações com preços inferiores aos praticados na capital e nos concelhos envolventes.

A melhoria das ligações e a criação do passe ferroviário nacional, com um custo mensal de 20 euros, são também apontadas pelo presidente da Câmara como fatores que reforçam a atratividade residencial de Almeirim.

Apesar da necessidade de aumentar a oferta habitacional, Joaquim Catalão considera que o crescimento residencial deve ser acompanhado pela criação de emprego e pelo reforço da economia local.

“Sem uma base económica forte, o concelho não se desenvolve”, sustentou.

A autarquia pretende, assim, conciliar a expansão industrial e comercial com a criação de novas áreas habitacionais, procurando responder ao crescimento populacional sem transformar Almeirim num território dependente dos empregos existentes noutros concelhos.

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