Os presidentes das câmaras dos 11 municípios da Lezíria do Tejo aprovaram, por unanimidade, a proposta de instalação de uma grande Área de Localização Empresarial em Santarém, com 1521 hectares e capacidade para receber investimentos industriais e logísticos de elevada dimensão.
A proposta da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) será apresentada à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT), que deverá submeter ao Governo duas possíveis localizações na região. A escolha final será tomada pelo Executivo nacional.
A futura Plataforma Logística Empresarial e Industrial de Santarém (PLEIS) ficará localizada junto à área de serviço de Santarém, na Autoestrada 1 (A1), em terrenos anteriormente estudados para a construção do novo aeroporto de Portugal.
A localização beneficia da proximidade aos principais eixos rodoviários nacionais e apresenta potencial para uma futura articulação com a rede ferroviária.
Segundo João Teixeira Leite, presidente da CIMLT, a decisão representa um passo importante para integrar a Lezíria do Tejo na estratégia nacional que prevê a criação de seis grandes áreas empresariais em Portugal, com uma dimensão comparável à de Sines.
“A Lezíria do Tejo quer fazer parte desta estratégia nacional e apresenta uma proposta concreta, com escala, acessibilidades e capacidade para atrair grandes investimentos”, afirmou.
O projeto foi pensado para crescer de forma faseada e responder às necessidades económicas e empresariais da região durante as próximas décadas.
João Teixeira Leite sublinhou que a proposta não se limita à preparação de investimentos futuros, indicando que já existe um projeto empresarial previsto para esta área.
A Fresh-52, empresa dedicada à produção e transformação de cenouras baby, prevê investir 130 milhões de euros, estando o início da construção marcado para o primeiro semestre de 2027, segundo a informação divulgada pelo presidente da CIMLT.
A concretização da plataforma pretende criar condições para atrair outras empresas de grande dimensão, aumentar a criação de emprego e reforçar a competitividade da região.
A centralidade de Santarém deverá permitir que os efeitos económicos se estendam para além do concelho e da Lezíria do Tejo, alcançando também o Médio Tejo e o Oeste.
Os benefícios poderão refletir-se nas cadeias de fornecedores, na valorização da produção local, na atividade logística e na colaboração com instituições de ensino e investigação das três regiões.
Um dos elementos centrais da proposta é a ligação entre a PLEIS e o Campus Tejo – Science & Technology, projeto direcionado para as áreas da água, inovação agroalimentar e ciências da vida.
A articulação pretende aproximar instituições de ensino superior, centros de investigação, empresas e produtores, transformando conhecimento científico em produtos, processos e soluções com aplicação económica.
Entre as áreas identificadas encontram-se a gestão eficiente da água, a agricultura de precisão, a robótica, a valorização dos alimentos, a nutrição, a saúde e a longevidade.
As empresas instaladas na plataforma poderão beneficiar de investigação aplicada, experimentação, transferência de tecnologia e formação de trabalhadores qualificados. A estratégia procura articular as várias etapas do desenvolvimento empresarial, desde a investigação e os testes até à produção e distribuição.
“Queremos ligar o conhecimento e a investigação do Campus Tejo à capacidade de produzir e exportar, com acesso aos principais eixos rodoviários e à ferrovia”, salientou João Teixeira Leite.
O responsável considera que esta ligação poderá atrair atividades de maior valor acrescentado, fixar investigadores e profissionais qualificados e criar novas oportunidades para os jovens da região.
Apesar de a grande plataforma proposta ficar localizada em Santarém, a CIMLT pretende criar uma rede complementar de parques empresariais distribuída pelos 11 municípios, onde se inclui Almeirim.
Esta rede deverá permitir que empresas de diferentes dimensões e setores encontrem espaços adequados nos vários concelhos, valorizando as vocações económicas locais e evitando a concentração dos investimentos num único território.
A estratégia poderá reforçar os parques empresariais existentes ou em desenvolvimento, aumentar a respetiva atratividade e favorecer a instalação de fornecedores e atividades complementares às empresas presentes na plataforma de Santarém.
“Queremos que esta estratégia se traduza também numa rede de parques empresariais distribuída pelo território, capaz de fixar investimento privado e criar emprego nos nossos municípios”, afirmou João Teixeira Leite.
No caso de Almeirim, esta estratégia surge numa altura em que a Câmara Municipal está a preparar, através da revisão do Plano Diretor Municipal, o alargamento do solo disponível para indústria e a criação de novas áreas comerciais.
A autarquia pretende disponibilizar parcelas de maior dimensão, reduzindo as dificuldades provocadas pela fragmentação da propriedade e criando condições para receber empresas que necessitam de áreas extensas.
A aprovação pelos 11 municípios representa o início do processo institucional e não significa que a localização esteja definitivamente escolhida.
A proposta será agora apresentada à CCDR LVT, cabendo posteriormente ao Governo selecionar a localização da grande Área de Localização Empresarial prevista para a região.
A CIMLT garante que continuará a trabalhar com a CCDR LVT e com o Governo para demonstrar a capacidade de execução da proposta e a importância estratégica da infraestrutura para a competitividade nacional.
“É uma escolha que responde às oportunidades de hoje, com uma visão para os próximos 100 anos”, concluiu o presidente da CIMLT.












