Justiça

“A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Esta frase, tantas vezes dita, significa apenas uma coisa muito simples: que aquilo que percebemos do comportamento dos outros importa. Recentemente, um ex-Primeiro Ministro que vive uma vida de luxo, muito acima dos ordenados que um político em Portugal ganha, foi investigado pelo Ministério Público.

Chegou a cumprir pena de prisão preventiva. Por haver fortes indícios de vários crimes, entre eles corrupção, foi
acusado. Após vários anos o Juiz arquivou todos os crimes de corrupção imputados pelo Ministério Público a este ex-Primeiro Ministro.

O sistema judicial para funcionar deve ser e parecer neutro, tal como a mulher do César. Não é isto que está a acontecer (…)

Para o cidadão comum, este desfecho representa o maior descrédito que alguma vez o sistema judicial teve pois, para a maioria das pessoas, o que se passou foi que alguém claramente culpado, com ligações políticas e amigos poderosos não vai ser condenado mas que se o cidadão comum cometer algum erro, por mais pequeno que seja, não terá qualquer perdão e cairá sobre si a mão pesada da justiça.

Que afinal não é cega e não está feita para punir os poderosos do sistema. A revolta tem-se feito sentir por pessoas
das mais variadas esferas político-ideológicas através de artigos de opinião em jornais, redes sociais, mensagens de telemóvel, conversas, buzinões e até de petições contra o Juiz! O sistema judicial para funcionar deve ser e parecer neutro, tal como a mulher de César. Não é isto que está a acontecer, o que prejudica a confiança dos cidadãos na justiça.

João Lopes
PSD Almeirim

Artigo de opinião publicado na edição impressa de 15 de abril de 2021

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