Família

Nos últimos dias, voltámos a assistir ao debate sobre o conceito de família, com a direita a basear-se no modelo nuclear tradicional, composto por um pai, uma mãe e os seus filhos biológicos. Este modelo é tido, pela direita, como o único válido e moralmente aceitável, enquanto todas as outras formas de família são vistas com suspeita ou desaprovação.

No entanto, essa visão estreita ignora a rica diversidade de arranjos familiares que existem na nossa sociedade contemporânea e pluralista. Em primeiro lugar, a família é uma instituição profundamente enraizada na cultura e na história de cada sociedade. Portanto, é injusto e desrespeitoso impor um único modelo de família como padrão absoluto para todos. Existem famílias monoparentais, famílias formadas por casais do mesmo sexo, famílias multigeracionais, famílias adotivas e muitas outras formas de união familiar. Negar a validade dessas estruturas é negar a própria diversidade humana e perpetuar uma visão discriminatória.

Além disso, a ênfase excessiva na família nuclear tradicional, muitas vezes, resulta em exclusão e marginalização de grupos vulneráveis. Mulheres solteiras, casais LGBTQIAP+, entre outros, frequentemente enfrentam estigmatização e discriminação por não se enquadrarem no modelo prescrito pela direita. Isso não apenas prejudica esses indivíduos e as suas famílias, mas também mina os valores de igualdade e justiça social que deveriam ser fundamentais em uma sociedade democrática.

“Os direitos não te obrigam a nada. As direitas, sim.”

João Rabita – JS Almeirim