Reserva Política

Creio não haver, na nossa cena política recente, actor capaz de despertar sentimentos tão díspares como Pedro Passos Coelho (PPC). É adorado
pela direita, que se vê sua órfã e é odiado pela esquerda, por ter personificado a austeridade.

A sua recente intervenção na evocação a Alfredo de Sousa mais não foi do
que uma análise sobre os problemas estruturais que afectam o país mas que muitos preferem ignorar, e que foram/serão agravados por decisões pouco racionais do actual governo: uma TAP pública por um capricho ideológico e que será sorvedora dos recursos de todos nós; um país que não descola da cauda da Europa e que já foi ultrapassado pelos países do Leste; os maus resultados ao nível da educação e que o actual governo, há cinco anos no poder, insiste em responsabilizar o anterior; e uma falta de cultura de responsabilização política que promove o laxismo, o
facilitismo e o amiguismo.

O escritor brasileiro Paulo Coelho escreveu que «a ignorância é medida
pela quantidade de insultos que usam na falta de argumentos para defender uma ideia». A falta de argumentos dos críticos de PPC é revelada pelos insultos que lhe foram dirigidos após a sua intervenção e é sinal de que o diagnóstico foi certeiro e os alvos se sentiram incomodados.

Quer gostem ou não, PPC estará aí como reserva política para nos apontar os erros cometidos e nos indicar o caminho certo.

Humberto Neves
PSD Almeirim

Artigo de opinião publicado na edição impressa de 1 de janeiro de 2021

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